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Após recuo da água, moradores da Região das Ilhas enfrentam lodo e lama

Todos as as 13 famílias que ainda estavam no abrigo da prefeitura já retornaram para suas casas, segundo a Defesa Civil

Após um ano e dois meses da enchente catastrófica, o cenário de lodo e lama é novamente vivenciado nas residências
Após um ano e dois meses da enchente catastrófica, o cenário de lodo e lama é novamente vivenciado nas residências Foto : Ricardo Giusti

Após um ano e dois meses da enchente catastrófica, o cenário de lodo e lama é novamente vivenciado nas residências dos moradores da Região das Ilhas, no Bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Na Ilha da Pintada, segundo a Defesa Civil, o nível da água estava em 1,94 metro, conforme última medição neste domingo, dia 6. A cota ainda é de alerta, de 1,80m, mas diversas ruas antes intransitáveis por veículos terrestres até os últimos dias agora apresentam recuo das águas.

Segundo a Defesa Civil de Porto Alegre, as últimas 13 famílias da região das Ilhas que ainda estavam abrigadas na Arena KTO saíram neste sábado, dia 5. Contanto com a rotatividade, em torno de 90 pessoas passaram pelo abrigo.

Em uma das ruas mais afetadas pelos alagamentos na Pintada, a Nossa Senhora da Boa Viagem, a inundação causou danos materiais na casa do pescador Julio Cesar Vasconcellos. Ele decidiu permanecer na residência desde o início para proteger seu barco, e conseguiu devolvê-lo para a beira do Jacuí após o recuo, que começou na quinta-feira. “Não posso ficar fora de casa com um barco. É igual eu abandonar meu carro”, diz.

Julio relatou que poucas pessoas ainda moram na rua. “Ficou quem já está mais acostumado com a água. Igual eu. Eu sou da água. Não tem como eu ter medo”, reconhece. O pescador retornou a pescar nos últimos dias, mas sem muito sucesso. “Até os peixes estão querendo ir embora”, afirmou.

Rosa Brandão, também moradora da rua, retornou pela primeira vez à sua casa para buscar brinquedos para seu neto. A água já recuou, mas pontos de alagamento e de lodo na rua impedem ela de voltar. “Nunca vi tanto lodo”, ela relata. Ela está na rua Presidente Vargas desde que precisou sair de casa, e não sabe quando vai conseguir voltar. “Minhas coisas estão todas levantadas mas, graças a Deus, lavou só o chão”, diz. Rosa afirmou que já enfrentou muitas enchentes, mas não tanto quanto as últimas. “Não é a primeira vez”, diz.

"Não dá mais, chega de sofrer"

Na Ilha Grande dos Marinheiros, Geraldo Mendonça de Melo, morador da rua João Ignácio da Silveira, levava seus móveis para o caminhão de frete na manhã deste domingo. Decidiu se mudar assim que sua casa encheu de água novamente, e porque sua esposa, Maria Melo, tem cirrose e não pode mais pegar umidade. Sua casa, que já estava prejudicada por conta da enchente de maio do ano passado, que levou todos os seus móveis, hoje encontra-se com o chão todo coberto por lama e lodo. “Estou há 62 anos aqui, mas não dá mais. Chega de sofrer. Minha vontade é de ficar, mas não tem como”, lamenta.

Ele foi nomeado no programa Compra Assistida, mas ainda não conseguiu pegar a sua chave. Por enquanto, vai permanecer na casa da sua filha, na Cidade Baixa. “Se eu pudesse, desistiria. Meu chão é aqui”, afirma. Seus vizinhos ao lado já não vivem mais ali, também por conta da última enchente.

A água na região das Ilhas saiu da cota de inundação no dia 4 de julho, mesmo dia em que o Guaíba chegou novamente na cota de alerta. Conforme última leitura, o nível do corpo d’água no Cais Mauá registra 2,04 metros, com tendência de queda.

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