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Aposentada que abrigou 12 crianças e professora durante ataque à escola em Estação relata momentos de tensão: “Nunca vi tanta lágrima”

Após o tumulto, que terminou com menino morto e outras três pessoa feridas, ela recebeu flor de pai com recado escrito “gratidão”

Ercinda Dala Corte, moradora de Estação
Ercinda Dala Corte, moradora de Estação Foto : Pedro Piegas

A aposentada Ercinda Dala Corte, 76 anos, recorda com serenidade dos momentos de tensão vividos por ela na manhã da última terça-feira, no município de Estação, no norte gaúcho. Moradora em frente à Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Nascimento Giacominni, atacada por um jovem de 16 anos que causou a morte do aluno Vitor André Kungel Gambiazzi, 9 anos, além de duas meninas de oito anos e uma professora de 34 anos feridas, ela abrigou ao menos 12 estudantes e uma docente durante os momentos de terror na instituição.

Dada sua coragem, ela contou ter recebido do pai de um deles uma flor com um cartão escrito “gratidão”. “Eu nunca vi nada do tipo, nunca. Nunca vi tanta lágrima também, todos choraram muito. Hoje me assustei, achei que me daria um troço”, relatou. “É uma escola boa, muitos parentes e conhecidos estudaram ali".

Ercinda Dala Corte, moradora de Estação | Foto: Pedro Piegas

Ela disse estar dentro de casa quando tudo começou, por volta das 10h, e ouviu muitas crianças correndo em fuga pela rua André Mafessoni, onde o colégio se localiza. De repente, se surpreendeu com várias delas em frente ao seu portão baixo, como são muitas casas em Estação. “Todos em torno de sete, oito anos. Achei que houvesse um animal dentro do colégio, ou que estava pegando fogo. Nunca vi tanta polícia reunida aqui na cidade”.

A moradora, que vive no local com o marido, o também aposentado Antônio Dala Corte, 85, que não estava em casa no momento do ocorrido, resume os momentos seguintes relatando “medo”. Após receber os pequenos, todos foram levados a um pequeno pátio atrás da casa de Ercinda. “Eles diziam: ‘tu cuida, né, vó?’ e eu respondia: ‘sim, aqui não tem problema, Jesus está aqui, vocês podem ficar tranquilos que não vai acontecer nada’”, relatou a aposentada.

Em um ato de desespero, ela contou que um dos alunos viu uma enxada e quis voltar ao colégio para ir atrás do agressor. “Falei para ele: ‘não é assim, a gente não devolve a maldade com outra. Temos que devolver o bem para a pessoa que faz mal. Quem sabe tu vai ser presidente, prefeito, vereador’. Ele se acalmou”. Já a professora, mais ciente da situação, estava sem o celular, utilizando o de Ercinda para se comunicar com a Brigada Militar e com o marido.

Os alunos somente saíram da casa em frente à escola por volta das 11h30min, com a presença dos pais. A respeito do agressor, ela disse não conhecer. Já sobre Vitor André, Ercinda comentou saber sobre um tio e um avô, este já falecido, e cuja morte, segundo ela, teria acontecido após um incêndio acidental em sua própria casa, há alguns anos. “Não sabia que era tão corajosa”, encerrou a aposentada.

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