Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) publicado nesta semana mostrou como mesmo volumes baixos de precipitação podem gerar alagamentos até a dois quilômetros da foz do Arroio do Salso, a maior bacia hidrográfica urbana de Porto Alegre, com efeitos em diversos bairros da zona Sul da Capital. Publicada como nota técnica, a pesquisa analisou este arroio por haver, nesta região, sistemas de drenagem que confluem para o arroio em questão, que, depois, deságua no Guaíba. O estudo também afirma que há diversas bacias na região metropolitana com características similares, embora a presença de casas de bombas ou a topografia local possam influenciar nos resultados em locais distintos.
A pesquisa analisou dois eventos, chamados período de retorno, de dois anos, ou seja, uma ocorrência a cada dois anos, com probabilidade de 50% de ocorrer em um ano qualquer, e 50 anos, ou, ainda, 2% de chance de ocorrer em qualquer ano (uma possibilidade concreta a cada 50 anos), e cada uma com duas cotas do nível da água do Guaíba: um metro (neste caso, o Guaíba não exerce nenhum controle sobre o Salso) e 3,5 metros (a partir de imagens de satélite do último dia 6 de maio).
O estudo também analisou a influência do chamado efeito de remanso, causado pela capacidade de escoamento das redes de drenagem do arroio, que reduz à medida que o Guaíba sobe e suas águas invadem o curso d’água menor. “O nível da água no Guaíba influencia as manchas de inundação”, diz o documento do IPH, com maiores diferenças a jusante (sentido do arroio para o Guaíba) a partir da ponte da avenida Juca Batista, em um trecho de cerca de quatro quilômetros, e mesmo nos dois períodos analisados, o trecho inundado é similar. As enchentes podem ainda ser influenciadas por tubulações abaixo do solo pressurizadas, reduzindo a vazão das redes particulares para o arroio e causando extravasamento da água em poços e bueiros.