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Arroio do Salso pode alagar mesmo com pouca chuva, aponta estudo da UFRGS

Nota técnica do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) demonstrou como mesmo pequenos eventos de precipitação ocasionam cheias na região, por fatores naturais e artificiais

Alagamentos no Arroio do Salso costuma causar problemas na zona Sul de Porto Alegre, como no bairro Ponta Grossa
Alagamentos no Arroio do Salso costuma causar problemas na zona Sul de Porto Alegre, como no bairro Ponta Grossa Foto : Fabiano do Amaral

Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) publicado nesta semana mostrou como mesmo volumes baixos de precipitação podem gerar alagamentos até a dois quilômetros da foz do Arroio do Salso, a maior bacia hidrográfica urbana de Porto Alegre, com efeitos em diversos bairros da zona Sul da Capital. Publicada como nota técnica, a pesquisa analisou este arroio por haver, nesta região, sistemas de drenagem que confluem para o arroio em questão, que, depois, deságua no Guaíba. O estudo também afirma que há diversas bacias na região metropolitana com características similares, embora a presença de casas de bombas ou a topografia local possam influenciar nos resultados em locais distintos.

A pesquisa analisou dois eventos, chamados período de retorno, de dois anos, ou seja, uma ocorrência a cada dois anos, com probabilidade de 50% de ocorrer em um ano qualquer, e 50 anos, ou, ainda, 2% de chance de ocorrer em qualquer ano (uma possibilidade concreta a cada 50 anos), e cada uma com duas cotas do nível da água do Guaíba: um metro (neste caso, o Guaíba não exerce nenhum controle sobre o Salso) e 3,5 metros (a partir de imagens de satélite do último dia 6 de maio).

O estudo também analisou a influência do chamado efeito de remanso, causado pela capacidade de escoamento das redes de drenagem do arroio, que reduz à medida que o Guaíba sobe e suas águas invadem o curso d’água menor. “O nível da água no Guaíba influencia as manchas de inundação”, diz o documento do IPH, com maiores diferenças a jusante (sentido do arroio para o Guaíba) a partir da ponte da avenida Juca Batista, em um trecho de cerca de quatro quilômetros, e mesmo nos dois períodos analisados, o trecho inundado é similar. As enchentes podem ainda ser influenciadas por tubulações abaixo do solo pressurizadas, reduzindo a vazão das redes particulares para o arroio e causando extravasamento da água em poços e bueiros.