Foco principal da South Summit Brazil, o debate sobre a inovação não se restringe às grandes corporações ou multinacionais. Tão pouco se limita às startups sedimentadas em ambientes altamente tecnológicos. Para Celso Athayde, executivo social e fundador da Central Única das Favelas (Cufa), este também é um tema que está presente nas comunidades.
“Nas favelas as pessoas sequer se chamam de empreendedores. É ‘dou meus pulos’, ‘faço os meus corres’, mas não diz empreendedor, share, holding, stakeholder, meeting”, brinca, ao sustentar, contudo, que a economia gerada dentro dessas comunidades gira em torno de R$ 12 bilhões ao ano no Brasil.
“Se você perguntar para uma empresa se ela quer fazer um plano de expansão para países como Paraguai ou Colômbia, qualquer empresa diria que sim. Na verdade, temos aqui essas favelas que consomem mais que Paraguai e Colômbia, somados”, exemplificou.
Athayde falou na tarde desta quarta-feira no painel “O futuro da inclusão: as favelas como uma força empreendedora” ao lado do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta.
“Fato é que nestes espaços, onde vivem pessoas em desvantagem econômica, não em carência, vive uma população de 18 milhões de pessoas. Se fosse um estado, seria o 3º maior estado em população ou em economia”, sintetizou Athayde, hoje executivo da Favela Holding, primeira holding que reúne empresas que atuam, ou planejam atuar, nas comunidades. Um guarda-chuva de companhias que envolvem áreas diversificadas, como logística, comunicação, esporte, cultura e varejo.
Ele defendeu que as comunidades recebam mais oportunidades e que a comunicação com essa população respeite as diferenças. Ele exemplificou como hoje ocorrem campanhas dentro destes territórios.
Bolsa família
Questionado pelo ministro Paulo Pimenta, Athayde reconheceu que o dinheiro distribuído às famílias via programas sociais, como o Bolsa Família, é fundamental para o desenvolvimento econômico dentro das favelas.
“Muitas pessoas que tem preconceito contra alguns recursos que vem do Estado para estas pessoas, mas em todo o mundo quando acontecem sobretudo algumas tragédias… empresas aéreas, por exemplo, o governo ajuda estas empresas, que estão quebrando. É um papel inclusive do Estado lançar mão dos recursos para poder ajudar essas pessoas e equilibrar essas relações. Isso é obrigação do Estado, não é nenhum favor”, defendeu.
Ele ainda avaliou que recursos como o Bolsa Família acabam impactando prioritariamente n os ecossistemas locais.