A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) realizou, na tarde de terça-feira (9), um grande expediente dedicado aos imigrantes haitianos que vivem no Rio Grande do Sul. O ato, proposto pelo deputado estadual Dr. Thiago Duarte (Republicanos), reuniu centenas de haitianos que aguardam, há anos, a chance de reencontrar filhos, esposas, maridos e pais deixados para trás em meio à guerra civil que devasta o Haiti.
Estimativas apontam que, somente no RS, vivem mais de 14 mil haitianos, sendo a maior comunidade dessa nacionalidade no país. Muitos chegaram há uma década, aprenderam português, reconstruíram a vida e hoje ocupam postos de trabalho em Porto Alegre, Região Metropolitana e interior.
Entretanto, a separação familiar se tornou um drama, já que não há voos comerciais para o Haiti, apenas fretados, a um custo considerado impagável. Além disso, a embaixada brasileira no país está fechada, impedindo a emissão de certidão de antecedentes criminais, documento exigido para regularização migratória. “Subo a esta tribuna carregando histórias, lágrimas e esperanças. Nenhum ser humano consegue ser pleno quando carrega dentro de si a dor da separação familiar”, disse Duarte.
O deputado relatou casos de imigrantes que há anos não abraçam seus filhos. Entre eles, Nedine Beuger, que vive há dez anos no Brasil; Maritha Delusca, há oito anos longe das crianças; e Exius Alexis, separado da família há 11 anos. A presidente da Associação dos Haitianos no Brasil, Anne Dominique Addjinie Milceus Bruneau, também esteve presente e tem liderado a mobilização por um voo humanitário.
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Duarte fez um apelo direto ao governo federal para duas medidas urgentes: concessão de vistos humanitários para permitir a reunião familiar e realização de um voo humanitário da Força Aérea Brasileira para resgatar cerca de 400 haitianos que vivem sob risco extremo no Haiti. “Essas pessoas não pedem privilégios. Pedem humanidade”, afirmou. “Liberdade, igualdade e fraternidade. Que essas três virtudes deixem de ser apenas símbolos e se transformem, agora, em decisões, políticas e ações reais, capazes de devolver esperança a quem há anos espera por um reencontro que nunca deveria ter sido interrompido”, disse.
O pronunciamento também homenageou autoridades que atuam na defesa dos imigrantes, como a desembargadora Fabianne Breton Baisch e o juiz-corregedor Felipe Lumertz, além de lideranças da segurança pública presentes.
A mobilização já reuniu os três poderes no RS e que um ofício foi enviado ao Ministério das Relações Exteriores solicitando intervenção do Itamaraty. “O reencontro virá. A justiça virá. A união familiar virá. Porque nenhuma guerra, nenhum bloqueio aéreo, nenhuma fronteira é capaz de deter o amor entre pais e filhos”, concluiu.