Uma das ações mais marcantes envolvendo a proteção do meio ambiente em Porto Alegre completa 50 anos nesta terça-feira. Em 25 de fevereiro de 1975, em plena ditadura militar, um grupo de estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) evitou a derrubada de dezenas de árvores na avenida João Pessoa. Para marcar a data, parte das pessoas que participaram da mobilização que entrou para a história voltaram na tarde de hoje ao local, na frente da Faculdade de Direito.
No dia em questão, ocorria a remoção dos vegetais como parte da construção do viaduto Imperatriz Dona Leopoldina. Para impedir que outras viessem abaixo, os então estudantes Carlos Dayrell, Marcos Saraçol e Teresa Jardim subiram em uma das Tipuanas ameaçadas. No instante seguinte, quase 500 pessoas apoiavam o protesto.
Teresa e Marcos sofreram violência policial, assim como dois jornalistas que cobriam o protesto. Os quatro foram presos e levados o segundo andar do Palácio da Polícia, onde funcionava o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), setor de repressão da Segurança Pública que se dedicava a ‘manter a ordem contra movimentos populares e terroristas’.
Na chegada dos detidos, mais um jornalista foi agredido e teve equipamento danificado. Horas depois, soube-se que outros dois profissionais foram agredidos por policiais militares na frente da Faculdade de Direito, ainda durante o protesto. O então presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), José Lutzenberger, também foi chamado ao DOPS para prestar depoimento.
O fato repercutiu nacionalmente. Naquela época, Porto Alegre sediava sucursais dos principais jornais do país. Diante da mobilização social, os vegetais que, segundo os engenheiros da prefeitura, atrapalhariam o trânsito, foram poupados.
“Lutamos e vamos continuar lutando. Tenho dito, usando as palavras do grande Bebeto Alves (Cantor e compositor), que nós somos um bando, um bando e muitos outros”, discursou Marcos Saraçol no ato desta tarde, ao lado da árvore na qual subiu para ajudar a salvar.
O encontro não é organizado por nenhuma entidade de preservação da Capital. É uma reunião de pessoas que estiveram juntas pela natureza naquele dia de verão. Além de um abraço simbólico na árvore que ajudou a poupar outras dezenas, é momento para rever amigos e lembrar da importância da preservação.
“Ainda estamos aqui, e sempre haverá quem esteja. Porque temos aqui um símbolo que chega aos seus 50 anos, é um um processo histórico, estaremos aqui, ou onde quer que seja, até quando for preciso”, disse a ex-vereadora e deputada estadual Jussara Cony, sob a sombra cinquentenária, numa tarde em que fez 37ºC em Porto Alegre.