Especialistas, representantes de instituições e de comunidades locais se reúnem desde terça-feira, dia 8, até esta quinta-feira, dia 10, para tratar das lições aprendidas na Operação Taquari 2, criada em 30 de abril de 2024 para dar assistência à população afetada pelas fortes chuvas no Estado. O evento também visa melhorar as ações de prevenção, de atendimento e de recuperação em situações de desastres, propondo estratégias de gestão de riscos. Em um dos painéis desta quarta-feira, dia 9, foram tratadas ações emergenciais em situação crítica, ações de salvamento e segurança, em painel conduzido pelo Coronel Leandro da Fonseca Assumpção, do Comando de Aviação do Exército (CAvEx), que relatou os principais desafios enfrentados pelas equipes durante o desastre no RS.
O coronel relatou que o slogan do Exército “braço forte – mão amiga” foi o que guiou as equipes para operações de apoio e resgate, assim como em diversos outros eventos extremos que participaram, como a enchente no Vale do Itajaí (SC) em 2008 e em Teresópolis (RJ), em 2011; o rompimento de barragem em Brumadinho (MG), em 2019, e no desastre climático de São Sebastião (SP), em 2023. “Cada catástrofe é única, tem especificidades. Isso traz lições aprendidas em outros eventos, além da necessidade de aprender e andar com cuidado”, ele disse.
Na primeira aeronave do Exército a pousar, o Coronel Leandro reforçou à equipe que deveria “apoiar a tragédia e não aumentar”, exigindo também os cuidados com a operação. O encontro com um terreno desconfigurado, repleto de situações críticas, com fios e rede de alta tensão, e antenas apagadas que afetam o voo e a visibilidade poderiam causar um perigo, exigindo cuidados. Para essa operação, tiveram apoio das equipes de resgate e da convenção do exército com especialistas em extração de população abatidos em terreno hostil.
O Exército teve uma ação de pronta-resposta de 24 horas na noite de terça-feira, quando foram chamados. Antes do nascer do sol, já estavam com as naves prontas para decolar. Porém, quando estavam chegando ao Estado, se depararam com a difícil condição meteorológica, que causa grande impacto em operações com helicóptero. Em Criciúma, tiveram que parar por precaução e segurança quando viram que não era seguro seguir com o helicóptero, já que houve outros acidentes nesse tipo de condição. O coronel reforça que uma avaliação de segurança nessa situação é extremamente importante. Apesar de exigir um voo baixo, para chegar na base aérea de canoas, as equipes enfrentaram condições meteorológicas mais amenas e puderam prosseguir.
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Leandro lembrou do resgate que comoveu a população do Rio Grande do Sul e o país. Uma família ilhada estava com o recém nascido Anthony, de 5 meses, com pneumonia. Em um cenário de extrema neblina e bruma, o comandante prometeu decolar com a família assim que pudesse, e conseguiram tirar o bebê com vida.
SEMINÁRIO DA OPERAÇÃO TAQUARI / PAINEL AÇÕES EMERGENCIAIS
Todos os afetados eram atendidos pelo Exército. Leandro lembrou que, em uma das ações, precisaram salvar um assaltante com uma perfuração no corpo por arma de fogo, porque foi detido por um policial. Além dos salvamentos, a equipe também passou a contribuir com outras ações, como envio de água e transporte de remédios. Sem contar, também, com o apoio a resgatados, que lamentavam a perda de familiares. “Foi guerra, só não teve tiro. Mas todos os elementos de uma guerra estavam presentes. Teve perda de vida, teve feridos”, relata Leandro.
Entre os aprendizados com a operação do Exército, Leandro destaca o planejamento prévio, para identificar com antecedência quais locais podem ser pontos de extração com helicóptero. Foi o que a equipe fez em Pelotas, com a Defesa Civil, como um plano de gerenciamento de crise. Outra palavra que ele destaca é “sinergia”: em meio ao desastre, tiveram pessoas trabalhando em conjunto para que a missão fosse cumprida. O apoio na comunicação com fluxo de informações também foi importante, já que os celulares não funcionam. A chegada de antenas da Starlink para restabelecer conexão à Internet durante enchente foi essencial, ele relata. As medidas de coordenação e controle do espaço aéreo para o maior nível de segurança e circulação dos helicópteros foram essenciais no momento de crise.