Cidades

Bairro Humaitá e Vila Farrapos têm êxodo de moradores após dilúvio comprometer estrutura de casas

Dois meses após enchente, zona Norte de Porto Alegre soma estabelecimentos fechados e casas vazias

Silviano José Mendes da Silva trabalha com reforma de casas destruídas na enchente
Silviano José Mendes da Silva trabalha com reforma de casas destruídas na enchente Foto : Camila Cunha

Centenas de pessoas ainda não conseguiram retornar para casa na zona Norte de Porto Alegre. No bairro Humaitá e na Vila Farrapos, mesmo após dois meses da enchente que devastou a região, ainda há uma miríade de imóveis vazios. Isso porque o dilúvio, além ter arrastado a mobília e deformado o piso, também comprometeu a estrutura das residências, tornando-as inabitáveis.

Nesta quinta-feira, no entorno da Arena do Grêmio, o movimento outrora incessante na avenida Padre Leopoldo Brentano não somava mais do que um punhado de pessoas. A maior parte delas era composta por funcionários e donos de estabelecimentos, que ainda não conseguiram voltar ao trabalho mas se esforçam para retirar a lama que permanece impregnada em paredes, pisos e calçadas.

Quase todos os bares e restaurantes ainda estão de portas fechadas mas, sem exceção, a totalidade das fachadas ainda tem marcas do lodo e da água suja que extravasou de bueiros. Além dos funcionários, a outra metade de quem estava no local era formada por pedreiros, marceneiros e outros trabalhadores contratados na esperança de reformar casas destruídas pela força da água.

Há imóveis em estado irrecuperável de devastação. Destroços de residências feitos de madeira se somam ao lixo em vias adjacentes à rua Voluntários da Pátria. Ali, há casas que foram transformadas em escombros e terão que ser reerguidas do zero.

Silviano José Mendes da Silva, de 59 anos, mora na região e presta serviços de reforma aos vizinhos. Ele conta que em todos os locais onde a água derrubou muros, também comprometeu a estrutura e o interior dos imóveis.

“Muros caídos no chão são significam residências comprometidas. Isso porque, se a água teve força para derrubar muralhas, certamente também atingiu vigas e pilastras. Alerto as pessoas para que não tentem fazer remendos. Não vale a pena colocar a vida em risco. Se a casa não tem salvação, é melhor procurar outro lugar para viver”, recomendou.

O homem denuncia que os moradores estão com dificuldade para receber auxílio de recursos estaduais e alerta para o abandono da Vila Farrapos. Após alguns minutos de justificada revolta, ele se emociona ao lembrar de vizinhos idosos que perderam tudo.

"A força deles é impressionante. Não sei de onde tiram tanta vontade e perseverança para se reerguer. Para isso, contamos apenas com a ajuda dos moradores. Recebemos o auxílio federal, mas não o estadual. Cadê o pix do Governo do Estado? Além disso, o que a prefeitura está fazendo por nós?”, questiona o morador, em prantos.