Conforme a medição das 14h15min, o Guaíba chegou aos 3,33 metros. É o maior nível desde a noite do dia 5 de junho, quando ele já apresentava sinais de diminuição após a grande enchente de maio. A nova elevação se dá pela chuva registrada em bacias de diversos rios durante o início desta semana, somada ao vento Sul, que causa o represamento do Guaíba na Lagoa dos Patos.
A combinação destes fatores faz com que, mesmo com o dia ensolarado, ruas de Porto Alegre voltem a ser tomadas pelas águas do Guaíba. Na Zona Sul, diversos bairros já enfrentam uma série de transtornos e, inclusive, inundações de ruas.
Em um dos principais pontos da Orla da Capital, o Calçadão de Ipanema estava encharcado pelas fortes ondas que atingiram as margens e chegaram a atingir alguns metros de altura ao colidir contra o concreto e se espalhar para cima, até cair sobre a calçada e escorrer para a rua.
Diante da situação, há acúmulo de água em diversos pontos da av. Guaíba. Desta forma, o trânsito é mais lento do que o habitual, com os carros evitando trafegar sobre as poças existentes nas laterais. Os pedestres e ciclistas também evitam passar pelo acostamento, para não serem surpreendidos com as ondas.
Galeria: Em Ipanema Rio Guaiba com ondas
A elevação também afeta outros bairros da Zona Sul. No Guarujá, a pista de skate do bairro, situada em uma praça junto à orla, tem a água chegando ao nível da estrutura esportiva. Quiosques e brinquedos também acabaram alagados. Algumas das ruas também registram acúmulo de água sobre a pista, bloqueando o trânsito.
No Belém Novo, assim como no Guarujá, a parte da Orla tem diversos espaços de lazer inundados. Apesar de o nível da água não chegar nem perto aos patamares de maio, na altura em que está, já há transtornos para a população.
Galeria: Praça alagada em belem novo
Água chegou às casas do bairro Serraria
Na Vila dos Sargentos, bairro Serraria, a devastação causada pela grande enchente de maio divide o cenário com a água do Guaíba voltando a chegar às casas. Os entulhos dos móveis e objetos tirados das poucas residências que se mantiveram em pé, também se camuflam nos escombros das moradias que ruíram, além do lixo, árvores e grandes pedaços de madeira que vieram junto com a inundação anterior.
Apesar de todos os transtornos e do cenário de Guerra, o morador Vitor Martins Ogando, de 34 anos, garante que continuará morando no local. Ele reside com a esposa e dois filhos, na casa comprada três meses antes da enchente.
Apesar de ter perdido tudo o que tinha no interior do imóvel, Vitor valoriza o fato de que sua residência se mantém de pé. “É um momento de reconstrução. No sábado pretendo levantar a parede em uma porta que caiu e vou construir uma área também. Eu morava em apartamento e saí porque entendi que não era um lugar para criar meus filhos. Aqui é um lugar de paz e tranquilidade”, relata.
Conforme Vitor, na noite de quinta-feira a água chegou novamente a casa, mas se manteve há poucos centímetros da superfície. Durante a manhã, ainda haviam pequenas ondas no pátio, que tem o Guaíba aos fundos. “Fiquei aqui, porque ainda ocorrem muitos saques durante a noite. Ficamos acordados, monitorando a situação a cada hora. Também avisei meu pai, caso tivesse que ir para lá, mas, felizmente, estabilizou”, relata.
No pátio, onde antes havia uma horta e um gramado para as crianças brincarem, hoje há acúmulo da terra trazida pela enchente, que foi espalhada pelo morador, além de muito lixo, materiais de construção e demais objetos trazidos pela água. Ao contrário de Vitor, alguns vizinhos já decidiram que não vai mais voltar, mas ele ressalta que ficará no bairro. “Este era um lugar lindo. Tem um senhor que investiu na reforma casa e deixou ela um brinco. Uma semana antes de se mudar, aconteceu a enchente e derrubou toda a parte da frente. Ele não quer mais voltar e todo mundo está dizendo que vai vender, mas eu não saio daqui. Vou construir um muro quando a água baixar e vou continuar”, conclui.