Cidades

Bairros de Porto Alegre atingidos por forte chuva contabilizam estragos nesta segunda

Temporal causou ventos de até 108 quilômetros no domingo

Foto : Guilherme Almeida

A zona Sul de Porto Alegre e municípios próximos, como Barra do Ribeiro e Guaíba, tiveram nesta segunda-feira um dia de contabilização dos estragos e conserto dos locais afetados. No final da tarde do dia anterior, um temporal causou ventos de até 108 km/h na estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) do Belém Novo, de acordo com a MetSul Meteorologia. Em Guaíba, um homem ficou ferido no rosto, pois teria sido atingido por uma pedra de granizo, de acordo com a Prefeitura.

O granizo e a chuva acumulada de até 30,6 milímetros na Zona Sul da Capital contribuíram para elevar os estragos. A CEEE Grupo Equatorial informou na manhã de hoje “ocorrências pontuais” nos bairros Restinga, Lomba do Pinheiro, Aberta dos Morros, Ipanema, Ponta Grossa e Jardim Isabel, e que a maioria dos clientes já estava com a energia restabelecida. Já a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) contabilizava o atendimento a onze demandas até a manhã.

Entre elas, dez árvores que haviam caído junto à estrada Retiro da Ponta Grossa, bairro Ponta Grossa. A água invadiu casas e, em vias laterais à estrada, a maioria dos postes caiu, causando falta de energia elétrica. Houve ainda ocorrências relacionadas a árvores na avenida Edgar Pires de Castro, estrada Gedeon Leite e na rua Mário Totta. Morador do final desta rua, na altura do número 3941 da estrada.

O motorista aposentado Renê Pires Gaya passou por alguns postes com sua caminhonete com bastante dificuldade. Mas chegar em seu sítio foi tarefa impossível. “Ali pelas 18h, eu vinha do Lami e andando pela estrada, tive de estacionar, pois o vento batia na lateral do carro. Outros carros também estacionaram atrás de mim. Parecia que ela balançava. O limpador de para-brisa não dava conta, e o asfalto estava acima do tornozelo”, contou ele.

Também moradores, o casal de aposentados Alvício e Nair Pereira disseram nunca ter visto chuva tão intensa no local em quase 50 anos que vivem ali.

Ainda na manhã desta segunda-feira, ao menos duas escolas do entorno dispensaram os alunos, em razão dos alagamentos e da falta de energia: a Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Ponta Grossa e a Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) José Loureiro da Silva, onde grande parte do pátio interno ficou tomado pela água. A equipe diretiva da EEEF José Loureiro da Silva se mobilizou para limpar o local, mas não havia previsão de retorno da luz. “Ontem mesmo avisamos aos pais e alunos. Alguns corredores ficaram tomados de água”, informou a diretora Maristela Silveira.

Foto: Guilherme Almeida

De acordo com ela, a escola sofre com problemas crônicos de alagamentos, pois está em uma área mais baixa, e que a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) está ciente da situação. A linha de ônibus 171 - Ponta Grossa, que prossegue pela estrada, não pôde continuar o trajeto normal no sentido Leste-Oeste em razão dos postes caídos no entroncamento com a rua Aldo Alves da Silva. Com isso, quem dependia da linha precisou caminhar cerca de um quilômetro até embarcar no coletivo, que é o único a passar pela região.

Funcionários da equipe de operações da administradora Viva Sul, utilizada por cerca de 2 mil pessoas diariamente, estiveram no local orientando os demais motoristas. Próximo dali, árvores caíram sobre a cerca externa do 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (8º Esqd C Mec), instalação do Exército no bairro Serraria, danificando a proteção. De acordo com a Defesa Civil Municipal, houve danos em 30 casas, a maioria na Restinga, com entrega de lonas, além de colchões e cobertores. Não houve desabrigados ou desalojados na Capital.

Estragos na Região Metropolitana

Em Guaíba, o prefeito Marcelo Maranata disse, nesta segunda-feira, que seria encaminhado decreto de calamidade pública junto à Defesa Civil Estadual. Ao menos 100 famílias foram afetadas no município, especialmente nas localidades de Alto do Mathias e Serrinha divisa com Barra do Ribeiro, no interior.

“Foram pedras muito grandes que caíram, algumas com diâmetro de oito centímetros. Casas e carros foram destruídos e animais morreram. Desde ontem, estamos atendendo esta comunidade. Foi um horror”, afirmou ele. A Prefeitura montou uma base de operações no Alto do Mathias, onde há o cadastro de famílias para a distribuição de lonas e reforma dos telhados.

No município de Barra do Ribeiro, também 100 residências foram afetadas na Serrinha, com granizos que chegou a dez centímetros de diâmetro. A Prefeitura relatou que enviou carros, caminhões e lonas para atender as famílias atingidas e minimizar os estragos, e começou ontem a cadastrar famílias que precisam de apoio. Ainda ontem, telhas começaram a ser distribuídas. “Sabemos que esse tipo de situação é muito difícil para quem é afetado e estamos trabalhando para minimizar os impactos causados pelo temporal”, afirmou o prefeito Jair Machado.

O que causou o temporal

Conforme a MetSul Meteorologia, o temporal foi causado pelo deslocamento de uma “pequena e poderosa” célula de tempestade, formada na margem Oeste da Lagoa dos Patos, imediatamente ao Sudoeste de Porto Alegre. Tal célula foi formada como consequência da atuação de uma área de baixa pressão atmosférica atuando no Rio Grande do Sul. Em seguida, a célula avançou para a cidade de Guaíba e depois para o Sul de Porto Alegre. Na zona Norte e área central, por exemplo, houve apenas chuva fraca, ou seja, o fenômeno não causou efeitos.