Cidades

Balsa de 77 metros encalhada em plantação de arroz causa prejuízo milionário a agricultor em Triunfo

Impasse impede retirada de embarcação trazida pelas enchentes em maio

Um navio arrastado pelas águas da enchente foi parar, em maio, numa propriedade rural em Triunfo. A embarcação bloqueia a irrigação da plantação de arroz de Edson Saccon
Um navio arrastado pelas águas da enchente foi parar, em maio, numa propriedade rural em Triunfo. A embarcação bloqueia a irrigação da plantação de arroz de Edson Saccon Foto : Camila Cunha

Um gigante de aço está encalhado no canal da propriedade do produtor rural Edson Saccon, na localidade do Passo Raso, em Triunfo, na Região Metropolitana. A embarcação Hernave II, de 77 metros de comprimento, foi transportada pelas enchentes, ainda no começo de maio, a partir do rio Jacuí, de onde a água é coletada por duas bombas para ser utilizada na plantação de arroz da fazenda, de cerca de 400 hectares. De lá para cá, o impasse sobre a responsabilidade da retirada da balsa do local traz preocupação e perdas cada dia maiores na lavoura da família do agricultor.

Saccon estima o prejuízo imediato em R$ 10 milhões, principalmente porque precisou desativar um dos equipamentos. “Vieram alguns navios rebocadores, tentaram puxar por este canal, mas desistiram. Chegou no final (do canal) e trancou. Uns três dias depois, o rio subiu mais uma vez e colocou ele de volta aqui. Seria mais fácil se tivessem tentado pelo caminho do vizinho, que é maior”, contou o produtor rural. No começo de maio, ele contou não ter estado em Triunfo, mas havia ido a Florianópolis para um procedimento médico.

Lá, acabou ficando por 30 dias, por não conseguir retornar por conta das cheias. Quando voltou, localizou o navio estacionado a cerca de 500 metros de onde está parado atualmente. “Se não passa água, não consigo plantar”, lamenta ele. O prejuízo pode ser ainda maior, já que somente a enchente destruiu metade de sua plantação, fazendo com que ele perdesse mais R$ 4 milhões, afirma Saccon, estimando que a água subiu a seis metros acima do normal no local, no auge das cheias. Já o canal em questão tem cerca de dois metros de profundidade, sendo, na visão dele, inviável a retirada desta embarcação sem outras de apoio.

O empresário Daniel Feliciani, da Fênix Gestão de Passivos, que está auxiliando Saccon na questão, disse que pretendia notificar os proprietários do navio e de um estaleiro próximo, onde a embarcação estava ancorada, para proceder com a remoção. “Podemos dar um prazo de quatro dias úteis para o início da operação. Depois, se não houver (a retirada), vamos acionar judicialmente”, afirmou ele, acrescentando que tentou uma reunião com ambos na quarta-feira, porém não foi atendido. A reportagem contatou ambos para obter um posicionamento, mas não houve resposta.

Ainda conforme Feliciani, foram também contatados a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Prefeitura de Triunfo, a Marinha do Brasil, o Ibama e inclusive a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para obter orientações, ainda que, em tese, o navio, por ora relativamente escondido na mata que margeia o canal, esteja vazio. Procurada, a Fepam disse ter recebido a denúncia e abrirá um processo para apurar detalhes. “Após a apuração, a Fepam vai notificar o empreendedor, caso haja irregularidades”, salientou o órgão estadual. A Marinha não respondeu até o fechamento deste material e os demais não foram localizados.