Mesmo com muito empreendimentos ainda debaixo d’água e sem previsão de quando será possível retornar à normalidade, entidades ligadas aos setores de bares, restaurantes e comércio já começam a apontar os prejuízos causados pelas enchentes, deslizamentos e enxurradas no Rio Grande do Sul. Transtornos apontados pelas entidades vão desde a queda nas vendas até problemas estruturais com danos nos estabelecimentos comerciais.
Estes prejuízos estruturais podem causar uma crise em precedentes para os setores no RS. Um levantamento realizado na última semana pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que ouviu mais de 400 pessoas ligadas ao ramo da alimentação, apontou que 8 em cada 10 bares ou restaurantes do estado não possuem seguro contra enchentes, o que poderá dificultar ainda mais a retomada da normalidade para esses empreendedores.
O presidente da entidade no RS, João Melo, destaca que as dificuldades do setor são, principalmente, com as equipes e com a falta de capital de giro. “Quitar salários é muito importante. O setor não tem muitas alternativas para esse momento, a não ser pegar empréstimo. Estamos aguardando uma solução do governo, como auxílio emergencial, alguma medida que possa ajudar”, apontou.
Os empresários ouvidos na pesquisa da Abrasel solicitaram a suspensão de impostos, oferta de linhas de crédito especial e programas de auxílio para que a retomada seja possível. Além disso, 74% deles apontaram dificuldades com abastecimento de suprimentos, 66% relataram não ter água potável, 35% estão sem energia elétrica, 18% tiveram perdas parciais e 7% afirmam terem perdas totais devido a alagamentos no estabelecimento comercial.
“A forma correta é o governo liberar uma linha de crédito com garantia dele mesmo, a fundo perdido e sem chance de recuperação, para as empresas aplicarem no que é fundamental. A desoneração da folha pode auxiliar também, precisamos de ações que contemplem a cadeia em todas as pontas, desde o empresário que precisa de crédito facilitado até auxílio emergencial que atenda os funcionários”, completou Melo.
Prejuízo no comércio e restaurantes na rua dos Andradas
Comércio de Porto Alegre já teve prejuízo de R$ 500 milhões
Além dos danos estruturais e perda de mercadorias, em função do registro de alagamento em áreas onde o comércio é forte no Centro Histórico, como nas ruas dos Andradas e Voluntários da Pátria, a impossibilidade dos comerciantes faturarem em cima de uma das principais datas do ano faz com que a estimativa de prejuízo na primeira semana de maio no setor tenha passado dos R$ 500 milhões de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre.
A nota divulgada pela entidade leva em consideração o impacto financeiro apontado pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, os prejuízos totalizaram R$ 585,4 milhões na primeira semana posterior à enchente do Guaíba.
O estudo cita ainda que, considerando todo o Rio Grande do Sul, a queda nas transações foi de 15,7%, principalmente em função da interrupção da atividade econômica. Por outro lado, a pesquisa aponta que o setor de combustíveis e supermercados registraram crescimento no mesmo período. “A dicotomia pode ser explicada pela reação da população diante da incerteza com o futuro. Além disso, parte do incremento é reflexo das aquisições visando doações para os atingidos pelos alagamentos”, avaliou Frank.