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Bebida quente e muitas camadas são estratégias para driblar o frio em Porto Alegre

Combinação de baixas temperaturas e vento castiga quem passa a noite ao relento

Enquanto termômetros marcavam 9ºC sensação térmica chegava a 5ºC no Centro de Porto Alegre
Enquanto termômetros marcavam 9ºC sensação térmica chegava a 5ºC no Centro de Porto Alegre Foto : Fabiano do Amaral

Café, chimarrão, sopa, lenha na fogueira e muitas camadas de tecido estão entre as principais estratégias do trabalhador gaúcho para enfrentar as baixas temperaturas acompanhadas do vento cortante típicos do inverno. Às 18h, os termômetros do Centro Histórico de Porto Alegre marcavam 9ºC, enquanto o vento que corria violento entre as ruas derrubava a sensação térmica para próximo dos 5ºC.

“Nós que somos gaúchos precisamos aguentar o frio. Não tem outro jeito”, desabafa entre risos o vendedor de algodão doce, Alexandre Fidelis. “De vez em quanto eu me mexo, dou uma balançada para não ficar só parado. Assim eu vou levando”, explica. Fidelis inicia o trabalho por volta das 16h e fica circulando na região entre a Prefeitura de Porto Alegre e o Largo Glênio Peres até às 21h, geralmente.

A alguns metros dali, Sabrina Bumbel administra, junto com o esposo, uma banca de revistas. “Eu te confesso que faz uns cinco anos que a gente não encara um inverno assim. Está muito complicado para o comércio, para a saúde… para todas as coisas.”, lamenta a comerciante que atua no centro há 28 anos.

“Hoje, quando eu cheguei aqui estava fazendo 5ºC. Tem que vir muito agasalhada. Eu estou com duas calças, duas camisetas e dois casacos e mesmo assim estou com frio.” Além de revistas, jornais, e figurinhas da copa, o estabelecimento também vende café de uma máquina instalada no interior da banca e, nesse frio, já se tornou o produto preferido entre os clientes.

A estratégia para encarar o frio, tem sido chegar em casa, beber um vinho e se aquecer com o fogo da lareira. “Quando eu fechar aqui, vou passar num posto, pegar etanol e acender a lareira, tomar um vinho e uma sopa. É o jeito”, afirma Sabrina, que recém se recuperou de sintomas gripais persistentes por cerca de 30 dias em razão da exposição ao frio intenso.

Enquanto o vento sibilava entre as colunas de sustentação do Viaduto da Conceição, abaixo da via elevada, Sandro se encolhia em duas mantas vestindo apenas uma calça, uma camiseta e um casaco fino. Apesar de que não passava das 19h, ele já se arrumava para dormir ali mesmo. O homem de 24 anos é natural do Mato Grosso do Sul, há três anos mora em Maquiné, e conta que três dias atrás veio a Porto Alegre com os amigos para aproveitar a vida noturna da cidade, mas o dinheiro acabou e, sem ter como voltar para casa, tenta se resguardar do sereno abrigado pelo viaduto.

“Está muito frio e eu estou com pouca roupa porque minha mochila ficou com os amigos que vieram comigo, mas eles se perderam de mim e me deixaram aqui” conta o rapaz que estuda, inclusive, pegar a estrada a pé e tentar carona durante o caminho.

Sob o viaduto funciona uma banca de verduras em tempo integral. São 24h de expediente intercaladas entre duas funcionárias. Pronta para encerrar o dia, Anaís Brum sai de Esteio todos os dias por volta das 6h. Ela relata que já não olha mais a temperatura para não se assustar com o frio. “Eu já vou dormir meio pronta. Quando acordo, boto a água do chimarrão para esquentar e só coloco a roupa por cima e venho, porque aqui bate muito vento de todos os lados”, explicou a vendedora enquanto mostrava as cinco camadas de roupa que vestia para encarar o frio.

Nesta sexta-feira, mais uma vez o Rio Grande do Sul registrou temperaturas negativas em alguns municípios. Apesar do sol ter voltado a aparecer após dois dias de chuva constante na região metropolitana, as temperaturas, acompanhadas de um forte vento gelado não animam a saída de casa. Para o fim de semana a previsão é de frio intenso com muita nebulosidade em boa parte do Estado.

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