Durante o 20º Congresso da Federasul, realizado em Bento Gonçalves entre os dias 27 a 29 de junho, lideranças empresariais do Rio Grande do Sul expressaram profunda preocupação com a resposta do governo federal à catástrofe ocorrida em maio de 2024. A Carta de Bento Gonçalves, divulgada nesta terça-feira, resultado das oficinas de trabalho, interação e debates durante o evento, destaca a morosidade e baixa efetividade das políticas públicas anunciadas para o resgate socioeconômico.
No documento, as lideranças ressaltam a promessa do Governo Federal de um aporte de R$ 92 bilhões, considerado suficiente para a reestruturação do estado se fosse composto por recursos novos e aplicados com sensatez. No entanto, a realidade, segundo a carta, é que a maior parte dos recursos são adiantamentos de valores já pertencentes aos gaúchos e empréstimos com juros proibitivos.
Distorção
A desconexão entre as soluções propostas por Brasília e as necessidades das lideranças locais foi um ponto de angústia destacado. A carta aponta que essa desconexão está contribuindo para o aumento do desemprego, fechamento de empresas e êxodo de trabalhadores, comprometendo a capacidade produtiva do estado.
Os empresários também criticaram a distorção da opinião pública nacional gerada pelos anúncios governamentais, que criam uma falsa expectativa de resolução dos problemas. Eles destacam que mesmo que o aporte de R$ 92 bilhões fosse totalmente realizado, seu efeito seria mínimo para a recuperação real do estado.
Entre as principais reivindicações estão:
- Aeroporto Salgado Filho: Urgência nas negociações para o aporte de valores necessários para a retomada rápida das operações, devido às enormes perdas econômicas causadas pela inatividade do terminal.
- Política de Estado para o RS: Implementação de uma política semelhante à adotada durante a pandemia, permitindo a suspensão de contratos de trabalho com pagamento integral equivalente ao seguro desemprego, visando preservar empregos e evitar o êxodo de trabalhadores.
- Interação com o Governo Federal: Necessidade de uma interação efetiva com as forças vivas da sociedade gaúcha para construir políticas públicas que promovam a boa gestão de recursos novos e sejam efetivas em seus objetivos.
Por fim, a carta reafirma a determinação das lideranças em superar as dificuldades através do trabalho, produção e busca por excelência, adaptando-se à nova realidade climática e contribuindo para a geração de riquezas no Brasil.