Cidades

BNDES apoia fornecedores do SUS com R$ 97 milhões em 2024

Entre as beneficiadas está a Lifemed, de Pelotas, que teve um crédito de R$ 60 milhões aprovado no programa

A Lifemed, de Pelotas, foi a primeira empresa a acessar recursos do programa BNDES Fornecedores SUS, criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoiar os fornecedores locais do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, foram fechadas, com recursos do programa, três operações que somam R$ 97 milhões, sendo que a empresa pelotense foi a maior delas, com um crédito aprovado de R$ 60 milhões. Fundada em 1978, a Lifemed é uma empresa de capital 100% nacional que atua no desenvolvimento e fabricação de produtos e equipamentos médico-hospitalares. Tem duas fábricas em Pelotas e comercializa seus produtos para mais de dois mil hospitais brasileiros, públicos e privados. O BNDES é acionista da companhia desde 2007.

As outras duas empresas a ter financiamentos aprovados foram a Víncula, de Rio Claro (SP), e a Confiance, do Rio de Janeiro (RJ). A primeira, que produz próteses ortopédicas, fez uma operação de R$ 27 milhões. A segunda, a única empresa que desenvolve e fabrica equipamentos de videocirurgia no Brasil, contratou R$ 10 milhões.

"Com essas operações, estamos atendendo ao objetivo da missão dois da política Nova Indústria Brasil (NIB), que visa ampliar o acesso da população à saúde gratuita e de qualidade. Como maior sistema público de saúde do planeta, com 150 milhões de usuários, a demanda do SUS por máquinas, serviços, remédios e outros insumos têm a capacidade de promover o desenvolvimento de fornecedores locais", observou o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.

O programa BNDES Fornecedores SUS foi criado em maio de 2024 com orçamento de R$ 500 milhões e vigência até 30 de junho de 2028. Ele visa apoiar os fabricantes locais de dispositivos para saúde, contribuindo para a meta da Nova Indústria Brasil: aumentar a participação da produção local dos atuais 42% para 70% do consumo nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e materiais para saúde.

O crédito concedido pelo programa pode contribuir para superar as dificuldades encontradas pelos fornecedores do SUS, que enfrentam desafios como o longo prazo de recebimento dos pagamentos e a necessidade de recursos para formação de estoques e multiplicidade de compradores. O fornecimento ao SUS se dá por meio da venda às instituições prestadoras de serviços de saúde, que podem ser entes públicos, instituições filantrópicas, parcerias público- privadas e organizações sociais.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), no Brasil há 4.549 empresas de dispositivos médicos, sendo 224 do segmento de aparelhos e equipamentos, e 4.325 do segmento de instrumentos e materiais. A produção do setor gerou uma receita de R$ 21,1 bilhões em 2022, dos quais R$ 17,2 bilhões (82%) referentes a instrumentos e materiais e R$ 3,8 bilhões (18%) relativos ao segmento de aparelhos e equipamentos para a saúde.