Cidades

Brasil registra 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024

Número representa 4,3% da população nessa faixa etária

trabalho infantil é definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como atividades perigosas e prejudiciais à saúde
trabalho infantil é definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como atividades perigosas e prejudiciais à saúde Foto : Valter Campanato/Agência Brasil

O Brasil registrou 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. O número representa 4,3% da população nessa faixa etária e um aumento de 34 mil jovens em comparação com 2023, ano em que a proporção havia atingido a menor da série histórica (4,2%). Os dados são do módulo experimental de Trabalho de Crianças e Adolescentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE.

De acordo com o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto, ainda é cedo para afirmar se há uma reversão da tendência de queda no trabalho infantil.

“Essa oscilação positiva de 0,1 ponto percentual, em relação a 2023, pode indicar até uma certa estabilidade. Para entendermos se há uma reversão da tendência de queda ou uma estabilização do indicador, será importante termos o resultado do próximo ano".

O trabalho infantil é definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como atividades perigosas e prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento, que também interferem na escolarização.

Principais dados sobre o trabalho infantil no Brasil (2024):

  • Total de jovens afetados: O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil chegou a 1,650 milhão, um aumento de 34 mil em relação a 2023.
  • Distribuição das atividades: Desse total, 1,195 milhão realizavam atividades econômicas, enquanto 455 mil produziam apenas para o próprio consumo.
  • Aumento entre adolescentes: A proporção de jovens de 16 e 17 anos em trabalho infantil cresceu de 14,7% para 15,3% em 2024. Mais da metade (55,5%) da população em situação de trabalho infantil tinha entre 16 e 17 anos.
  • Impacto na educação: Cerca de 88,8% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, um percentual menor que a média nacional para a faixa etária (97,5%). A jornada de trabalho também aumenta com a idade, o que pode contribuir para a evasão escolar nos grupos mais velhos.
  • Jornadas de trabalho longas: Entre os jovens de 16 e 17 anos em trabalho infantil, quase metade (49,2%) trabalhava mais de 25 horas por semana, com 30,3% trabalhando 40 horas ou mais.
  • Desigualdade racial e de gênero: A maioria das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil são pretos ou pardos (66,0%). Além disso, o trabalho infantil é majoritariamente masculino, com 66,0% dos casos envolvendo meninos, um aumento de 5,4% em relação a 2023.

Veja Também