A Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg) vai analisar imagens de câmeras de segurança para apurar o corte e furto da cabeça da imagem da República, junto ao monumento ao diplomata e jornalista Barão do Rio Branco, inaugurado em 7 de setembro de 1916 na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre.
De acordo com a pasta, foi instaurado um procedimento para apuração do crime. Já o 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), responsável pela região, disse que “policiamento ostensivo na região da Praça da Alfândega é realizado regularmente, por meio de ações de patrulhamento preventivo e rondas periódicas, dentro do planejamento operacional empregado na área central de Porto Alegre”, mas que “a gestão, manutenção e fiscalização patrimonial das praças municipais são de responsabilidade da Guarda Municipal de Porto Alegre”.
Não há informações de quando o furto teria sido praticado, embora este crime seja uma prática recorrente, de acordo com o historiador José Francisco Alves, autor do livro A Escultura Pública de Porto Alegre e uma das maiores autoridades na documentação destas estátuas em logradouros da Capital. “A situação dos monumentos é a de sempre. De modo geral, há uma destruição bastante acentuada nas grandes cidades do Rio Grande do Sul. A partir de 1999, começou uma onda irreversível em Porto Alegre, tanto que, até 2009, chamo de ‘a década da destruição’, em que se perdeu uma quantidade absurda de monumentos”, disse Alves.
Estátua da República é vandalizada na Praça da Alfândega, em Porto Alegre
Se os furtos e vandalismos em estátuas não são novidade, o decepamento das mesmas também não o é. Em suas pesquisas, o historiador registra ao menos mais um corte de cabeça, da obra que retratava Marcelino Champagnat, próximo ao Túnel da Conceição, também no Centro Histórico e feita com cimento. A estátua de Rio Branco na Capital foi construída pelo artista alemão Alfred Adloff, autor também de outras esculturas pela cidade.
Segundo o livro A Escultura Pública de Porto Alegre, a República é representada por uma figura feminina junto aos pés do monumento, ao nível do solo e no lado direito do conjunto, com trajes transparentes e portando o pavilhão nacional. “Ela estende para o alto a sua mão direita, em direção ao Barão, oferecendo-lhe uma coroa de louros, símbolo da gratidão da Pátria aos grandes serviços prestados pelo homenageado”, registrou a obra literária.
Já o Barão “foi retratado segurando seus óculos na mão direita e na esquerda um documento, talvez simbolizando os tratados internacionais que assinou em nome do Brasil. Nas quatro faces do pedestal encontravam-se as mais belas placas ornamentais de bronze em monumentos da Capital gaúcha, finamente trabalhadas (duas roubadas e refeitas)”.
Conforme Alves, a escultura de Porto Alegre foi criada por iniciativa do Clube Militar dos Oficiais da Guarda Nacional em 1912, mesmo ano da morte do diplomata, e o concurso para sua confecção foi vencido pela oficina de João Vicente Friederichs. Ela é uma das três principais erguidas no Rio Grande do Sul ao Barão do Rio Branco. As outras duas estão em Uruguaiana, relativamente bem conservada, e Rio Grande, onde segundo o historiador também foi destruída e vandalizada, inclusive faltando uma grande cadeira de bronze e todas as placas.
Em viagem pelos Estados Unidos, o prefeito Sebastião Melo usou as redes sociais para lamentar o ocorrido. "Recebemos com grande indignação a informação de que parte da estátua do Barão do Rio Branco foi vandalizada e furtada na praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre. Não há outro termo para usar que não chamar de bandido quem comete esse tipo de coisa", escreveu.
DEMOCRACIA É O IMPÉRIO DA LEI!
— Sebastião Melo (@SebastiaoMelo) May 12, 2026
Recebemos com grande indignação a informação de que parte da estátua do Barão do Rio Branco foi vandalizada e furtada na praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre. Não há outro termo para usar que não chamar de bandido quem comete esse tipo de…
Leia nota da Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg)
A Secretaria de Segurança, por meio da Guarda Civil Metropolitana, instaurou procedimento para apurar o furto da cabeça da imagem da República no monumento ao Barão do Rio Branco, na Praça da Alfândega. As imagens de videomonitoramento da região serão analisadas.
Leia nota do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM)
A Brigada Militar através do 9º Batalhão de Polícia Militar informa que o policiamento ostensivo na região da Praça da Alfândega é realizado regularmente, por meio de ações de patrulhamento preventivo e rondas periódicas, dentro do planejamento operacional empregado na área central de Porto Alegre.
Entretanto, esclarecemos que a gestão, manutenção e fiscalização patrimonial das praças municipais são de responsabilidade da Guarda Municipal de Porto Alegre, órgão mais indicado para prestar informações específicas acerca do monitoramento e conservação do local citado.
Permanecemos à disposição.
Atenciosamente,
Comunicação Social
9º Batalhão de Polícia Militar