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Cacique Raoni volta ao hospital com quadro de saúde grave

Líder indígena deu entrada em hospital de Sinop com dor abdominal e vômito

Cacique Raoni volta ao hospital com quadro de saúde grave
Cacique Raoni volta ao hospital com quadro de saúde grave Foto : Tânia Rêgo/Agência Brasil/CP

O cacique Raoni Metuktire, um dos defensores mais emblemáticos da Amazônia, foi internado em uma unidade de terapia intensiva e seu estado de saúde é grave, informaram seus médicos nesta segunda-feira.

O líder indígena foi levado na tarde de ontem para o Hospital Dois Pinheiros, na cidade de Sinop, Mato Grosso, de onde havia recebido alta em 25 de maio. Ele deu entrada com dor abdominal, vômito e expectoração com sangue.

"O paciente se encontra internado na UTI, sob monitoramento contínuo. O estado de saúde é considerado grave", informou o hospital. Beptuk Metuktire, que retornou de uma viagem ao exterior por causa de seu avô, Raoni, disse à AFP que o cacique estava lúcido e que seu estado de saúde era instável. O hospital informou que os médicos vão participar às 9h desta terça-feira de uma entrevista coletiva sobre o quadro clínico de Raoni.

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O sucessor de Raoni, Megaron Txucarramãe, e outros líderes indígenas interromperam uma viagem à Europa para denunciar o garimpo ilegal em suas terras organizada pelo Greenpeace Brasil, informou à AFP Danicley de Aguiar, coordenador da ONG.

Familiares de Raoni vão discutir amanhã os passos a tomar caso o estado de saúde do cacique piore, disse Roiti Metuktire, coordenador de Gestão Territorial do Instituto Raoni.

Histórico de saúde e ativismo

Segundo os médicos, Raoni, de 94 anos, havia passado vários dias no mesmo hospital em maio: primeiramente para tratar uma hérnia, e após ser diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos.

O cacique continuou ativo, embora visivelmente debilitado nos últimos meses. Em abril, participou do Acampamento Terra Livre, a maior concentração anual de povos indígenas em Brasília.

Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970, quando militava contra a rodovia transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Fez seu primeiro giro internacional em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, na Amazônia.