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Câmara de Porto Alegre planeja grupo de trabalho para acelerar desassoreamento de arroios e evitar alagamentos

Na reunião, foi defendido que os locais estejam em condições de receber águas decorrentes das fortes chuvas

A reunião foi proposta pelo vereador José Freitas (Republicanos)
A reunião foi proposta pelo vereador José Freitas (Republicanos) Foto : Alina Souza

A Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (CUTHAB), da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, encaminhou a criação de um grupo de trabalho para acelerar o desassoreamento de arroios e evitar alagamentos. O plano foi discutido nesta terça-feira, durante reunião da comissão que tratou da situação dos arroios da Capital e da importância de que eles estejam em condições de receber águas decorrentes das fortes chuvas. Atualmente, são 27 arroios que cumprem o papel de drenar as águas da cidade. Ao longo da reunião, foram mencionados diversos arroios com problemas de inundação, como o Bromélias, na Restinga; do Saldo, Lami, Guarujá, Sarandi, Mangueira, entre outros.

O vereador José Freitas (Republicanos), integrante da comissão e proponente da reunião, afirmou que tem fiscalizado a situação dos arroios e que muitos pontos estão registrando alagamentos frequentes. “Em qualquer chuva torrencial, fica um metro de água dentro das casas, e as pessoas sempre perdem tudo. A gente sabe que os arroios estão assoreados, e não existe cronograma para desassorear todos os arroios em toda a sua extensão. Até porque faltam recursos, tem muitas arbóreas no meio do arroio, tem que ter compensação até financeira da prefeitura. São vários entraves", disse.

O grupo de trabalho deve envolver diferentes secretarias e departamentos. Entre eles, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), a Defesa Civil, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e a Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (Smamus).

Uma das moradoras das proximidades do arroio do Salso, Natalícia Annello Deitch afirmou que há cerca de 17 famílias morando na beira do arroio, que correm riscos com um transbordamento. Ela disse que praticamente todas as casas localizadas nas quatro ruas da primeira parte do arroio são alagadas. "No caso das previsões climáticas de agora, essas casas vão cair dentro do arroio. Vai represar a água e a água vai para tudo o que é lado. O alagamento vai ser horrível. O que eu peço é que precisamos o quanto antes do desassoreamento".

Auri Soares, morador do bairro Restinga, relatou que um braço do arroio do salso, na sua região, não tinha vazão de água por meio das galerias, e a água invadia a rua. Em 2024, depois das enchentes, foi elaborado um projeto para o local, com previsão de desassoreamento e retirada de árvores, cujas raízes tomaram conta do arroio e provocam alagamentos. "A rua chega a ficar com 1 metro de altura de água. A minha casa chegou a 1,10 metro. São em 15 casas que acontece isso. Se tornou para nós um desespero. Cada vez que tem previsão de chuva torrencial, todo mundo sai de casa".

"A gente solicita providência com urgência da situação que vem ocorrendo aqui, queremos ter o direito de viver com tranquilidade e morar com segurança", complementou.

O engenheiro civil do Dmae, Paulo Quintana, que trabalha na manutenção de rede pluvial, lembrou de outros pontos que também são fatores para o transbordamento de arroios, como a presença de lixo irregular que vai para dentro da tubulação. Ainda, as ocupações irregulares dos locais, com a impossibilidade de acesso das máquinas para o serviço de desassoreamento.

"A gente tem que pensar que não é só a máquina entrar para limpar o arroio, tem que tirar o resíduo que está dentro. Para a gente tirar o resíduo, tem que encostar com essa máquina com um caminhão próximo para fazer o transporte do material. Se tiver uma sequência de casas ao longo do arroio, não tem como conseguir acessar para tirar o material ou até mesmo para entrar com a máquina”, disse.

Ele lembrou que, no arroio Chapéu do Sol, houve uma supressão para poder fazer a limpeza do arroio, que custou 1,4 milhões de reais. "Se todos os arroios que a gente vai fazer a dragagem pagar um valor desse, ou vai faltar dinheiro para pagar as máquinas, ou a gente não vai conseguir executar o trabalho".

O vereador Jonas Reis (PT), membro da comissão, reforçou que as comunidades sofrem com problema de décadas. Ele lembrou que o governo federal mandou mais de R$ 6 bilhões para o Rio Grande do Sul para projetos que envolvem a questão da drenagem, e que a prefeitura deve priorizar a questão. Ele afirmou que a prefeitura, na verdade, libera empreendimentos, mas sem planejar o direcionamento da água. "Estamos falando do péssimo planejamento urbano". Para ele, a solução é planejar os riscos com diferentes órgãos. "Quanto mais empreendimentos forem liberados em toda essa região do Salso, mais a água vai vir com velocidade, porque as esponjas naturais vão ser perdidas. São zonas de mato, de campo e de grama".

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