O caminhoneiro Nicollas Otilio de Lima Pinto, de 39 anos, motorista de uma carreta que, no domingo, tombou sobre uma van e matou nove pessoas na BR 376, em Guaratuba, no litoral do Paraná, na noite de domingo, prestou depoimento à Polícia Civil por videochamada. Ele alegou que um problema mecânico o impediu de reduzir as marchas e utilizar o freio. De acordo com o delegado Edgar Santana, da Polícia Civil do Paraná, o caminhão saiu de Santos, em São Paulo, no sábado, carregado com peças automotivas que tinham a Argentina como destino.
Ainda no sábado, de acordo com o caminhoneiro, a carreta teria apresentado problemas. “Ele eria parado na rodovia, um guincho da concessionária o levou até um posto de combustível na cidade de Campina Grande do Sul, no Paraná. E no domingo o veículo teria sido consertado por um mecânico”, revelou Santana.
No depoimento, o motorista ainda contou que trafegou por cerca de um quilômetro até o caminhão apresentar problemas novamente. Outro veículo da concessionária responsável pela rodovia o acompanhou até uma base operacional próxima a um posto de pedágio. “O mesmo mecânico teria sanado o problema novamente. A partir daí, ele seguiu viagem. Nas proximidades da Serra, o problema voltou”, acrescentou.
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Sem freios
De acordo com o advogado criminalista Richard Noguera, quando o caminhoneiro chegou no início da descida da Serra, tentou fazer o procedimento padrão para o trajeto, reduzindo as marchas e utilizando o freio motor. “O sistema, porém, não funcionou”.
“Ele tafregava pela direita quando viu que a via da esquerda começou a ser desocupada porque a van ultrapassava o caminhão. Ele levou o seu veículo para a esquerda, fazendo memória de que próximo daquele local havia uma área de escape. Só que não deu tempo para isso”, assinalou Noguera.
Ainda conforme o delegado, o caminhão ficou desgovernado e passou a trafegar com velocidade excessiva, até atingir a Van. Santana tenta identificar o mecânico para intimá-lo a prestar depoimento. “Com o laudo do exame pericial no veículo para constatar efetivamente se houve ou não uma falha mecânica”, disse.
O delegado solicitou à concessionária imagens da região no momento do acidente. Conforme o Santana, as câmeras serão enviadas ao Instituto de Criminalística para que seja formalizada a dinâmica do sinistro e estabelecido a velocidade em que o veículo se encontrava.
O dono do caminhão alegou que essa era a primeira viagem que Nicollas realizava para ele, por meio de contrato informal e com a promessa de pagamento do vcorrespondente a 13% do valor total do frete. Alegou que tinha conhecimento dos problemas mecânicos e que adotou as devidas providências no sentido de procurar e encontrar um mecânico para efetuar o conserto do veículo.
Pelotense
Nicollas é natural de Pelotas, mesma cidade da equipe de remo vítima do acidente. “Isso é uma das causas que fragiliza ele. Além da tragédia, acabou se envolvendo num episódio terrível com conterrâneos”, observou advogado. “Durante o interrogatório, em alguns trechos, ele chorou e demonstrou uma total tristeza em relação ao fato que ocorreu”, revelou o delegado.
O caminhoneiro, que havia elevado o nível da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para a categoria E em março, disse que trabalhava para outra empresa de transporte antes de prestar serviço de maneira informar para o dono do caminhão oferecer seu serviço para o proprietário do caminhão envolvido no acidente.
De acordo com o advogado, ele “dirigia de forma prudente e compatível com a velocidade da via, não havia ingerido bebidas alcoólicas, nem quaisquer substâncias entorpecentes”. Santana, afirmou que a investigação ainda está na fase inicial. “Seguimos apurando o caso pelo enquadramento legal de homicídio culposo na direção de veículo automotor. No entanto nada impede que até o final do procedimento haja uma mudança do enquadramento legal”, assinalou o delegado.