Cidades

Catástrofes climáticas e o impacto nas redes elétricas são tema de evento em Brasília

Experiências globais, como dos Estados Unidos e do Reino Unido, foram compartilhadas por convidados internacionais

Os deputados Eduardo Pazuello e Arnaldo Jardim, e o ex-senador Romero Jucá, subiram ao palco para uma foto com o presidente da ABRADEE, Marcos Madureira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa e a secretária executiva adjunta do Ministério de Minas e Energia, Isabela Sales Vieira.
Os deputados Eduardo Pazuello e Arnaldo Jardim, e o ex-senador Romero Jucá, subiram ao palco para uma foto com o presidente da ABRADEE, Marcos Madureira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa e a secretária executiva adjunta do Ministério de Minas e Energia, Isabela Sales Vieira. Foto : Divulgação/inFRA

A Agência iNFRA, especializada em informação jornalística na área de infraestrutura no Brasil, e o Instituto Abradee de Energia, da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), realizaram nesta quarta-feira o seminário “Eventos Climáticos Extremos - Experiência Internacional e impactos nas redes de energia elétrica”. A gravação das palestras está disponível no canal do Youtube da Agência inFRA.

O evento ocorreu no Hotel Windsor, em Brasília, e contou com a presença de painelistas do setor elétrico nacional e do exterior. Na plateia estavam CEOs das principais empresas brasileiras de energia elétrica, bem como políticos brasileiros, como os deputados Eduardo Pazuello e Arnaldo Jardim, e o ex-senador Romero Jucá.

O objetivo do evento foi o compartilhamento de experiências internacionais que possam ser úteis para o Brasil. Estiveram presentes na abertura do evento o presidente da Abradee, Marcos Madureira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa e a secretária executiva adjunta do Ministério de Minas e Energia, Isabela Sales Vieira.

Segundo Vieira, o Ministério de Minas e Energia tem agregado o enfrentamento às mudanças climáticas nas discussões da pasta. Um exemplo, segundo a secretária adjunta, é o decreto 2068, que traz novos comandos para a renovação de contratos das distribuidoras de energia, incluindo para as companhias o compromisso de aumentar investimentos em resiliência de rede e enfrentamento de eventos climáticos extremos, além de estabelecer metas para a recomposição do serviço após eventos extremos.

“Infelizmente com as mudanças climáticas a gente vê nosso país entrar nesse cenário de precisar se preocupar com esses eventos e trazer a experiência internacional é muito bom nesse sentido de olhar para quem está mais à frente no enfrentamento de eventos extremos”, afirmou Vieira.

Experiência americana

Dentre os palestrantes convidados esteve o consultor e ex vice-presidente da Florida Power & Light, Michael Spoor. Spoor trouxe informações da companhia, que atua no estado da Flórida, nos EUA, com anos de experiência na gestão de impactos causados por furacões. O estado chegou a enfrentar sete furacões no intervalo de dois anos, em 2005 e 2006.

“A Flórida sempre tem sido vulnerável a furacões. Então não é uma questão de se você vai ser atingido por um furacão, mas quando e quantas vezes. A empresa tem uma infraestrutura enorme. Em 2005, os clientes nos adiavam como empresa. Os reguladores estavam com raiva. Um furacão que impactou o estado em outubro nos levou 18 dias para restaurar a energia elétrica de 3 mil clientes”, relata Michael Spoor.

Segundo Spoor, desde 2006 a empresa começou a investir extensivamente em ações antes das tempestades, passando pelo “endurecimento” de suas estruturas, inspeções de postes, manejo de vegetação e conversão para redes subterrâneas. Equipamentos mais modernos também foram adquiridos. Spoor destacou ainda a importância do compartilhamento de recursos, mesmo que parte das grandes empresas não sejam diretamente impactadas.

“Precisamos reconhecer que existem alguns eventos que acontecem, esse ano ainda teve o furacão Helena e muitos recursos estavam envolvidos com esse esforço. Precisa ter um entendimento de que existe um compartilhamento de recursos. Todos os serviços de utilidades vão receber algum nível de assistência mútua daqueles que não foram tão impactados. Tem que ter uma certa equidade. Não se faz nenhum tipo de reembolso para poder fazer essa ajuda, isso tem funcionado muito nos EUA”, afirma Spoor.

Flexibilidade nas questões regulatórias

“Nunca teremos uma situação de estar totalmente preparados para eventos climáticos extremos. Acho que a Flórida, com o furacão Ian, foi um excelente exemplo de como resolver isso. Mas, olhando para o que mais poderia ser feito, acho que o primeiro desafio é ter mais flexibilidade, porque muitas coisas são muito restritivas às vezes. Precisamos saber quanto as empresas precisam ter de investimento e ver também o impacto para os clientes, porque certamente o que você não quer fazer é colocar um peso para os clientes no final das contas. Se você investe insistentemente no sistema, no final de contas o que vai acontecer é que isso vai cobrir os custos dos clientes”, disse Grant McEachran, representante da S&C Eletric Company, do Reino Unido.

Reflexões sobre o Brasil

“Não existe bala de prata, precisamos de uma série de ações. Por exemplo, em São Paulo tornar a rede subterrânea envolve um custo muito elevado. Precisa ser avaliado”, disse o pesquisador e professor Unicamp, Walmir Freitas.

“O setor de distribuição faz parte dessa solução. Temos que pensar com muito planejamento para estar num estágio melhor. Mas não tem dinheiro no mundo que faça uma rede 100% a prova de catástrofes climáticas”, afirmou o mediador e CEO da Energisa, Ricardo Botelho.

Freitas afirmou também que incentivos são mais produtivos que penalidades. “Acho que a regulação pelo lado do incentivo é sempre melhor, se começarmos a criar penalidades sem ser muito bem pensadas, vamos começar a criar outros problemas, como é o caso de empresas que faliram nos EUA.

“Vamos pegar o exemplo de São Paulo com as tempestades do final de 2023. Temos que melhorar a gestão da vegetação. Essa gestão vai ficar só com a concessionária ou tem que ser junto com o poder público? Lógico que tem que ser junto com o poder público, porque o investimento é enorme. Isso precisa chegar no consumidor, no Brasil não há uma conscientização sobre isso. Como mostram os exemplos, são de 5 a 10 anos para conseguirmos estruturar um plano”, ressaltou o pesquisador e professor Unicamp, Walmir Freitas.