A CEEE Equatorial está lançando mão de uma solução de alta tecnologia para enfrentar um problema que há anos compromete a qualidade do serviço elétrico e causa prejuízos significativos à concessionária: o furto de cabos de cobre. A empresa pretende implantar marcadores nanotecnológicos nos fios da rede, permitindo rastrear a origem do material mesmo depois de queimado, picotado ou descascado.
Apresentada durante o Simpósio de Segurança e Inteligência, realizado em março de 2025, a medida representa uma virada no combate à receptação ilegal. A tecnologia, baseada em compostos químicos nanoestruturados, cria uma espécie de “DNA invisível” nos cabos, identificável mesmo após alterações físicas severas.
“Será possível comprovar que o material pertence à Equatorial mesmo quando estiver em estado irreconhecível”, afirmou o diretor de segurança empresarial da companhia, Johnathan Costa.
Furto de cabos: uma epidemia silenciosa
Entre 2022 e 2024, a CEEE Equatorial contabilizou mais de 14 mil ocorrências de furto ou vandalismo em sua rede — um cenário que desafia tanto a segurança da operação quanto a prestação de serviços à população. Somente em 2024, foram registrados 3.197 casos, o que representa, em média, nove crimes por dia.
Os impactos não são apenas financeiros: além dos prejuízos diretos, estimados em mais de R$ 4 milhões em 2024, a retirada de cabos compromete o fornecimento de energia, afeta hospitais, escolas, transporte e a vida de milhares de pessoas. Em Porto Alegre, foram 1.240 ocorrências em um ano. No Litoral Norte, 145 km de rede foram perdidos, prejudicando cerca de 345 mil clientes.
Estratégia multifrontal contra o crime
A nanotecnologia chega como uma nova peça em um conjunto de ações já em curso. Em áreas mais vulneráveis, a CEEE substituiu mais de 150 km de cabos de cobre por fios de alumínio — menos atrativos para criminosos por seu valor de revenda inferior.
A atuação também tem forte apoio das forças de segurança. Por meio da operação nacional Equi-Cobre, deflagrada em diferentes estados, a empresa e autoridades como Brigada Militar e Polícia Civil vêm promovendo ações de inteligência e fiscalização. Somente em 2025, foram 19 operações realizadas no Rio Grande do Sul, com 18 pessoas presas por envolvimento em furtos ou receptação de cabos.
A experiência da companhia em outros estados reforça a confiança na abordagem: no Piauí, medidas semelhantes resultaram em queda de mais de 66% nas ocorrências em regiões críticas, como a cidade de Parnaíba, onde os registros praticamente zeraram.
Conscientizar também é prevenir
Outro pilar da estratégia é o diálogo com a sociedade. A CEEE vem promovendo ações educativas junto a ferros-velhos, comunidades e espaços públicos, alertando sobre os riscos legais e operacionais da comercialização de fios sem procedência. A campanha integra a “Operação Equi-Cobre” e busca ampliar o entendimento coletivo sobre os impactos desse tipo de crime.
Futuro com rastreabilidade
A implementação dos nanomarcadores transforma o fio elétrico em uma evidência quase irrefutável. O material poderá ser rastreado mesmo em sua forma mais degradada, oferecendo às autoridades uma ferramenta crucial para responsabilizar receptadores e interromper cadeias criminosas.
A expectativa da CEEE Equatorial é de que, ao combinar inovação tecnológica com ações sociais e parcerias institucionais, seja possível reduzir de forma sustentável os furtos e economizar recursos que poderão ser reinvestidos na melhoria do sistema elétrico gaúcho.