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CEEE Equatorial aposta em nanotecnologia para frear furtos de cabos e reforçar segurança no RS

Marcadores químicos invisíveis permitirão rastrear fios mesmo danificados, facilitando punições e evitando prejuízos milionários

Furtos geram prejuízos a consumidores e perdas à concessionária
Furtos geram prejuízos a consumidores e perdas à concessionária Foto : Pedro Piegas

A CEEE Equatorial está lançando mão de uma solução de alta tecnologia para enfrentar um problema que há anos compromete a qualidade do serviço elétrico e causa prejuízos significativos à concessionária: o furto de cabos de cobre. A empresa pretende implantar marcadores nanotecnológicos nos fios da rede, permitindo rastrear a origem do material mesmo depois de queimado, picotado ou descascado.

Apresentada durante o Simpósio de Segurança e Inteligência, realizado em março de 2025, a medida representa uma virada no combate à receptação ilegal. A tecnologia, baseada em compostos químicos nanoestruturados, cria uma espécie de “DNA invisível” nos cabos, identificável mesmo após alterações físicas severas.

“Será possível comprovar que o material pertence à Equatorial mesmo quando estiver em estado irreconhecível”, afirmou o diretor de segurança empresarial da companhia, Johnathan Costa.

Furto de cabos: uma epidemia silenciosa

Entre 2022 e 2024, a CEEE Equatorial contabilizou mais de 14 mil ocorrências de furto ou vandalismo em sua rede — um cenário que desafia tanto a segurança da operação quanto a prestação de serviços à população. Somente em 2024, foram registrados 3.197 casos, o que representa, em média, nove crimes por dia.

Os impactos não são apenas financeiros: além dos prejuízos diretos, estimados em mais de R$ 4 milhões em 2024, a retirada de cabos compromete o fornecimento de energia, afeta hospitais, escolas, transporte e a vida de milhares de pessoas. Em Porto Alegre, foram 1.240 ocorrências em um ano. No Litoral Norte, 145 km de rede foram perdidos, prejudicando cerca de 345 mil clientes.

Diretor-presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbanera, apresentou tecnologia durante Simpósio de Segurança e Inteligência, em março deste ano | Foto: Pedro Piegas / CP Memória

Estratégia multifrontal contra o crime

A nanotecnologia chega como uma nova peça em um conjunto de ações já em curso. Em áreas mais vulneráveis, a CEEE substituiu mais de 150 km de cabos de cobre por fios de alumínio — menos atrativos para criminosos por seu valor de revenda inferior.

A atuação também tem forte apoio das forças de segurança. Por meio da operação nacional Equi-Cobre, deflagrada em diferentes estados, a empresa e autoridades como Brigada Militar e Polícia Civil vêm promovendo ações de inteligência e fiscalização. Somente em 2025, foram 19 operações realizadas no Rio Grande do Sul, com 18 pessoas presas por envolvimento em furtos ou receptação de cabos.

A experiência da companhia em outros estados reforça a confiança na abordagem: no Piauí, medidas semelhantes resultaram em queda de mais de 66% nas ocorrências em regiões críticas, como a cidade de Parnaíba, onde os registros praticamente zeraram.

Conscientizar também é prevenir

Outro pilar da estratégia é o diálogo com a sociedade. A CEEE vem promovendo ações educativas junto a ferros-velhos, comunidades e espaços públicos, alertando sobre os riscos legais e operacionais da comercialização de fios sem procedência. A campanha integra a “Operação Equi-Cobre” e busca ampliar o entendimento coletivo sobre os impactos desse tipo de crime.

Futuro com rastreabilidade

A implementação dos nanomarcadores transforma o fio elétrico em uma evidência quase irrefutável. O material poderá ser rastreado mesmo em sua forma mais degradada, oferecendo às autoridades uma ferramenta crucial para responsabilizar receptadores e interromper cadeias criminosas.

A expectativa da CEEE Equatorial é de que, ao combinar inovação tecnológica com ações sociais e parcerias institucionais, seja possível reduzir de forma sustentável os furtos e economizar recursos que poderão ser reinvestidos na melhoria do sistema elétrico gaúcho.