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Cheia de junho foi semelhante a de setembro de 2023, analisa IPH

Nota técnica comparou eventos de chuva que causaram as cheias de setembro e novembro de 2023, abril-maio de 2024 e junho de 2025

Documento também conclui que a cheia histórica de maio e junho de 2024 apresentou magnitude muito superior, resultado de um volume de chuva muito alto
Documento também conclui que a cheia histórica de maio e junho de 2024 apresentou magnitude muito superior, resultado de um volume de chuva muito alto Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

A magnitude da cheia de junho de 2025 no Guaíba e no Delta do Jacuí foi semelhante à de setembro de 2023 no que se refere ao volume de chuva, embora a distribuição geográfica tenha sido diferente. A análise está em uma nota técnica elaborada pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em colaboração com o Programa de Gestão Ambiental Portuária do Porto de Porto Alegre (PGA POA).

Os valores médios de chuva em 2025 ficaram em torno de 252 mm, com picos próximos de 400 mm. Esses volumes elevaram o nível do Guaíba até 3,01 metros no Cais Mauá (armazém C6), em 25 de junho. Os valores são próximos com os observados em setembro de 2023, quando a média de chuva foi de 262 mm, com picos de 400 mm, e o Guaíba atingiu 3,18 metros no mesmo local.

Já a cheia histórica de maio e junho de 2024 apresentou magnitude muito superior, resultado de um volume de chuva muito alto.

Entenda o documento

O relatório apresenta uma avaliação detalhada do comportamento da cheia de junho de 2025 no Guaíba e no Delta do Jacuí. O delta se forma principalmente a partir do rio Jacuí e secundariamente pelos rios Caí, Sinos e Gravataí, cujas águas deságuam no Lago Guaíba.

O documento inclui a análise de chuvas de eventos recentes, medições dos níveis de água e vazões, levantamentos batimétricos que indicam alterações no leito do rio, e a precisão das previsões hidrológicas.

O objetivo é monitorar e compreender a dinâmica da água para apoiar a gestão de riscos e as decisões de órgãos públicos em eventos extremos.

Comparação com outros eventos

O estudo analisa as chuvas que causaram as cheias de setembro de 2023, novembro de 2023, abril-maio de 2024 e junho de 2025 no Rio Grande do Sul com base nos registros de mais de 200 postos de medição da Rede Hidrometeorológica Nacional, coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Uma figura disponibilizada pelo IPH apresenta mapas que indicam a quantidade total de chuva em cada um desses eventos.

  • Áreas em vermelho: mostram os maiores acumulados de chuva,
  • Áreas em tons de amarelo e verde: mostram volumes médios
  • Áreas azuis: representam os menores acumulados.
| Foto: IPH

No caso de 2025, o mapa mostra que as chuvas foram muito intensas, superando 400 mm na região central do Estado. Volumes acima de 400 mm foram registrados principalmente na bacia do rio Jacuí, que deságua no Guaíba em Porto Alegre.

Os valores médios de chuva em 2025 ficaram em torno de 252 mm, com picos próximos de 400 mm. Em setembro de 2023, a média de chuva foi de 262 mm, com picos de 400 mm, e o Guaíba atingiu 3,18 metros no mesmo local.

Já em novembro de 2023 e abril-maio de 2024, as chuvas foram ainda mais volumosas, fazendo o Guaíba alcançar níveis mais altos: 3,46 metros em novembro e 5,37 metros em maio de 2024.

Diferença na distribuição da chuva

A distribuição da chuva em 2025 também foi diferente em comparação aos eventos anteriores. Em 2023, os maiores volumes atingiram principalmente a bacia do rio Taquari. Em 2024, as chuvas fortes se concentraram tanto no alto rio Jacuí quanto no Taquari.

Já em 2025, a chuva foi mais intensa na bacia do rio Jacuí, especialmente na região do afluente Vacacaí, no centro do Cstado.

Vazão de água no Guaíba

Os níveis de água registrados no Guaíba durante esses eventos foram compatíveis com os volumes de precipitação, com pequenas variações devido à distribuição espacial e temporal das chuvas e ao efeito dos ventos.

Embora a vazão em 2025 (12.941 m³/s) tenha sido muito menor que o recorde de 2024 (35.736 m³/s), ela ainda representou uma vazão de 6 a 12 vezes maior que o habitual (1.000 a 2.000 m³/s), evidenciando a grande quantidade de água que passou pelo sistema.

Com base nas observações e previsões, não foi detectada alteração significativa na resposta do Guaíba às chuvas nos últimos anos.

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