Uma nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-Ufrgs) concluiu que não há evidências que o assoreamento (acúmulo de sedimentos) tenha causado ou intensificado a cheia entre abril e maio de 2024 no rio Taquari, no trecho compreendido entre a ponte da BR 386, entre Estrela e Lajeado, e a barragem de Bom Retiro do Sul.
Para o estudo, foram utilizados levantamentos batimétricos realizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) antes e depois da cheia de 2024, além de dados históricos coletados em 2016. A conclusão também se baseou em modelagens hidrodinâmicas e comparações topográficas.
A análise mostra que a grande cheia de 2024 provocou alterações significativas na morfologia do rio, com variações de profundidade superiores a cinco metros em pontos específicos. Em média, o leito ficou 17 centímetros mais elevado após a cheia, evidenciando uma tendência de deposição de sedimentos — fenômeno esperado em trechos fluviais a montante de barragens.
Estima-se que 947 mil metros cúbicos de sedimentos foram depositados no período de março de 2024 a março de 2025. As modificações são atribuídas quase totalmente à movimentação de sedimentos ocorrida durante a cheia extraordinária de abril e maio de 2024.
Aumento de cota máxima
Segundo as simulações realizadas, as modificações observadas têm potencial para aumentar entre 10 e 14 cm a cota máxima em futuras cheias de magnitude semelhante. Embora esse aumento seja considerado pequeno frente à dimensão das inundações históricas, os pesquisadores alertam para a possibilidade de efeitos cumulativos, caso eventos extremos se repitam.
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Necessidade de aumento de levantamentos
A nota técnica recomenda a continuidade e ampliação dos levantamentos batimétricos no Taquari e em outros rios do estado, especialmente em áreas urbanas propensas a inundações. Além disso, destaca-se a necessidade de estudos de dragagem baseados em modelagens hidrodinâmicas, para mitigar possíveis impactos futuros.
O trabalho foi desenvolvido por Walter Collischonn, Fernando Mainardi Fan, Rodrigo Cauduro Dias de Paiva e Mateus Sampaio (IPH-UFRGS), Franco Buffon (SGB) e Sofia Royer Moraes (Univates).