O domingo, 21, foi de céu nublado e muito calor em Porto Alegre. Durante todo o dia, a sensação de abafamento gerou uma expectativa de chuva intensa ao fim da tarde, ainda mais após os alertas emitidos pela MetSul Meteorologia e o Instituto Nacional de Meteorologia. A chuva veio e aliviou o calor, mas não com o volume que se imaginava. Por volta das 19h, ruas e avenidas tiveram pontos de alagamento, mas a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) não registrou nenhum dano na cidade.
Durante a noite, a reportagem do Correio do Povo percorreu algumas das principais avenidas da Zona Norte. Na Sertório, altura do número 4421, após a avenida Polar no sentido ao bairro, um ponto de alagamento ocupava duas pistas, mas sem representar risco maior ao motorista. Mais adiante, no semáforo com a rua Joaquim Silveira, também havia um ponto onde os veículos levantavam água, o que não chegava a causar lentidão. No bairro Sarandi, apenas algumas esquinas ainda estavam alagadas, mas sem interferir no trânsito da região ou invadir o pátio das casas.
Conforme a Defesa Civil de Porto Alegre, os maiores acumulados de chuva até as 20h foram registrados no Guarujá, com 5,7 mm, na Ilha da Pintada, com 3,4 mm e no Lami, com 2,2 mm.
Alertas meteorológicos
A MetSul Meteorologia emitiu um alerta para a formação de um rio atmosférico no Estado. O fenômeno pode causar chuvas extremas e persistentes, com potencial para alagamentos, enxurradas, inundações repentinas e, o cenário mais crítico, o transbordamento de rios e enchentes. Os rios atmosféricos são corredores que transportam grandes massas de ar úmido dos trópicos para latitudes mais altas. Essa umidade, quando combinada a ventos de alta velocidade, atua como um "combustível" para chuvas severas. O fenômeno deve persistir durante toda a semana do Natal.
Conforme a Metsul, em pontos isolados, o acumulado de chuva pode atingir de 100 mm a 150 mm em apenas 24 horas, o que representa entre dois terços e a totalidade da média histórica para todo o mês de dezembro. As áreas de maior risco são o Centro e o Oeste do Estado. Nestes locais, em um intervalo de sete a dez dias, os volumes podem somar de duas a três vezes a média mensal. Modelos de alta resolução também indicam que cidades como Barra do Quaraí, Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Alegrete, Maçambará e São Borja podem registrar acumulados de 200 mm a 300 mm até a noite de terça-feira.
Ainda de acordo com a MetSul, alguns municípios podem registrar, nos últimos dez dias do ano, o equivalente a um quarto de toda a chuva esperada para o ano inteiro. A situação pode afetar o nível dos rios, com alto risco de cheias nas bacias do Uruguai (sul de São Borja), Ibicuí, Vacacaí, Jaguari e Quaraí.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu um alerta de perigo de tempestade válido até às 22h desta segunda-feira em quase todas as regiões do Rio Grande do Sul, com exceção do extremo norte do Estado. Conforme o Inmet, nessas áreas pode haver chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 km/h), e queda de granizo. Risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.