Depois de chover durante toda a madrugada deste domingo, uma forte pancada registrada por volta das 8h provocou uma série de transtornos em Porto Alegre, especialmente na Zona Norte. Alagamentos, queda de árvore e danos a veículos foram registrados em diferentes pontos da cidade, mobilizando equipes da prefeitura e da Defesa Civil.
Um dos pontos afetados foi a rua da Represa, no bairro Cascata, onde o Arroio Moinho transbordou por volta das 8h. Cerca de duas horas depois, a água já havia baixado, mas ainda era visível a presença de barro na via e acúmulo de lixo no arroio.
A diarista Márcia Oliveira, de 52 anos, esperou a chuva cessar para iniciar a limpeza do pátio da residência. Segundo ela, apesar de a água não ter invadido a casa, a situação foi mais grave do que em episódios anteriores. “Choveu a noite inteira e por volta das 8h deu uma pancada mais forte. Hoje a água foi bem mais alta do que na sexta-feira. Não atingiu a casa, mas foi por pouco. Agora tem que limpar, senão depois fica pior”, relatou.
Na rua Angelo Barcelos, esquina com a avenida Bento Gonçalves, no bairro Vila João Pessoa, o acúmulo de água surpreendeu candidatos de um concurso público realizado na PUCRS, que haviam deixado seus veículos estacionados no local. Pelo menos cinco carros foram atingidos, entre eles modelos Civic, Onix, Fox e um Cobalt, que chegou a ser arrastado por alguns metros e ficou atravessado na pista. O proprietário do veículo estava no campus no momento do alagamento e possivelmente só tomou conhecimento do ocorrido ao retornar após a prova.
CHUVA | Após forte chuva na capital gaúcha, na manhã deste domingo (18), foram identificados pontos de alagamentos na cidade de Porto Alegre.
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📌Diversos carros foram danificados por um alagamento registrado durante a manhã deste domingo na rua Ângelo Barcelos, esquina com a… pic.twitter.com/R5KBDZk0hQ
O consultor de vendas Geisom Nielsen, de 36 anos, que levou o companheiro para prestar o concurso, viu o carro ficar com água até a metade da porta. Com ajuda de familiares, ele tentava minimizar os danos após a água baixar. “O carro ficou embaixo da água, literalmente. Fui levar o companheiro para o concurso e bem na hora começou a chover forte. Ele entrou e eu fiquei no pórtico. Quando voltei, o carro já estava embaixo d’água. Felizmente o carro funcionou, mas o ar-condicionado não está ligando ainda. O problema agora vai ser a limpeza e tirar o cheiro de esgoto”, contou.
Moradora da região há 29 anos, Rosana Cesarino, de 58 anos, afirma que os alagamentos são recorrentes no local. “Isso é de anos. Dá uma pena porque o pessoal não sabe que o carro foi atingido. Fazia tempo que não enchia depois que fizeram uma limpeza, mas sexta-feira já tinha enchido e agora de novo. Em minutos isso vira cachoeira. Deveriam pelo menos colocar uma placa de risco de alagamento”, lamentou.
Outro transtorno foi registrado na rua Desembargador Almiro Cauduro com a rua José Éboli, no bairro Jardim Itu, onde a queda de uma árvore chegou a bloquear totalmente o trânsito. No final da manhã, a árvore já havia sido cortada e a via liberada, embora galhos permanecessem no local, ocupando parte da pista.
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Em nota divulgada pela manhã, a prefeitura informou que secretarias e órgãos municipais foram mobilizados para atender às ocorrências. A Defesa Civil monitora a situação dos arroios, com atenção especial para a rua da Represa e a região do Passo das Pedras.
Conforme o Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), entre a meia-noite e as 9h, os maiores acumulados de chuva foram registrados na Rua da Represa (41,6 milímetros), Lomba do Sabão (37 milímetros) e bairro Guarujá (34,9 milímetros).
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) também registrou diversos pontos de atenção na cidade, com acúmulo de água em vias como a rua Angelo Barcelos com a avenida Bento Gonçalves, avenida Sertório com Joaquim Silveira, avenida Assis Brasil e rua dos Maias. Além disso, houve bloqueios parciais por acúmulo de terra e bloqueios totais em razão da queda de árvores.