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Ciclovia da Ipiranga em Porto Alegre é considerada impraticável

DMAE está em processo de abertura de editais para a recuperação dos taludes do Dilúvio

Com quase 10 quilômetros de extensão, apenas dois quilômetros de ciclovia estão liberados
Com quase 10 quilômetros de extensão, apenas dois quilômetros de ciclovia estão liberados Foto : Camila Cunha

Nove trechos da ciclovia da Avenida Ipiranga em Porto Alegre permanecem interditados devido à necessidade de reparos nos taludes. As adaptações realizadas pela prefeitura não agradaram os ciclistas, que criticam a lentidão dos trabalhos e os riscos de mobilidade. Ao todo são 9.400 metros de ciclovia, dois quilômetros estão liberados.

No final de agosto, a liberação do trecho entre as avenidas João Pessoa e Salvador França foi suspensa por questões de segurança e mobilidade urbana. Na ocasião, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi instruída a intensificar a fiscalização ao longo da via para orientar ciclistas e motoristas.

Camila Guimarães, de 35 anos, revela que diminuiu a circulação na ciclovia da Ipiranga por considerar impraticável.

“É muito pouco prático e perigoso ter que ficar alternando entre a ciclovia, o asfalto e as calçadas, sendo que as calçadas também estão em péssimo estado”, desabafa. Ela mora no bairro Partenon e explicou que tem usado a Bento Gonçalves e as ruas São Luís e Santana, “para uma pedalada mais constante, reta e rápida”. Mas ela considera que esse percurso é um risco para os ciclistas, pois precisam dividir a faixa com os carros.

Camila que usa a bicicleta como meio de locomoção desde 2017 destaca que a ciclovia na Ipiranga sempre apresentou rachaduras e elevações pelas raízes das árvores que ofereciam perigo aos ciclistas, principalmente aos desacostumados com o trajeto. “É uma parte bem mal iluminada e esses perigos ficam no escuro”, observou Camila.

Ciclovia da Av. Ipiranga tem bloqueios devido aos estragos decorrentes das chuvas | Foto: Camila Cunha

Daniel Gondim, 34 anos, também deixou de usar com frequência a ciclovia da avenida Ipiranga e considera que existe uma falta de informação sobre a revitalização e manutenção dos s trechos interditados. Ele considera as ciclovias como ótimas opções para a mobilidade urbana, e acredita que o investimento deveria ser mais substancioso. “Deveria se investir mais nisso. A tendência é do trânsito inflar. E um possível revezamento de placas vai desagradar muito aos motoristas. O plano cicloviário de Porto Alegre já tem 15 anos e ainda não foi concluída a primeira fase construtiva”, enfatizou.

O talude do Dilúvio se estende por 16 km, com 8 km de cada lado da Avenida Ipiranga, indo da foz até a Avenida Antônio de Carvalho. A manutenção dos taludes é responsabilidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), que está em processo de abertura de editais para a recuperação. Ao todo, são dez pontos que necessitam de reparos.

Na última segunda-feira, foi publicado o edital de licitação para a reconstrução de quatro trechos, com concorrência marcada para 10 de outubro. Esses trechos estão localizados nas imediações da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sendo dois na margem esquerda do arroio, próximos à Rua Professor Cristiano Fischer, e dois em frente ao campus da instituição. Os últimos já passaram por intervenções no ano passado e agora receberão reforço estrutural.

A concorrência pública para as obras de outros dois trechos — na esquina entre a Avenida Ipiranga e a Rua São Manoel, e em frente ao Planetário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — foi encerrada no dia 11 de setembro.

Além disso, um processo voltado para a reconstrução do trecho do talude entre as ruas Silva Só e São Manoel – com dispensa de licitação, devido à calamidade causada pela enchente de maio – foi concluído no dia 10. Ambos os editais receberam quatro propostas, que estão sendo analisadas pelo DMAE com base em critérios de habilitação e menor preço. O resultado deverá ser divulgado nas próximas semanas, e um novo edital para outros três trechos também está previsto para publicação nesse período.

A Secretaria de Mobilidade Urbana (SMMU) informou que acompanha junto ao DMAE a evolução das licitações que preveem a recomposição dos trechos. Até que haja condição de trafegabilidade dos pontos com segurança a recomendação da SMMU é o uso do passeio compartilhado com os pedestres. De acordo com a secretaria, agentes de fiscalização de trânsito e a equipe da Escola Pública de Mobilidade têm feito ações de fiscalização e educativas em alguns pontos de forma sistemática. Em dias de alerta de temporal toda a ciclovia é fechada por questões de segurança