Em meio a uma onda de calor extremo que tem castigado o Rio Grande do Sul desde o início de fevereiro, o comércio local está experimentando um aumento surpreendente na demanda por um item valioso no calor: o gelo. Empresas têm corrido com a produção para manter os estoques abastecidos e garantir que os equipamentos funcionem perfeitamente.
Na Gelo Pop, fabricante e distribuidora de gelo em Porto Alegre, a rotina foi alterada. Além do aumento dos pedidos em quase 35% em relação a fevereiro de 2024, a manutenção dos freezers é outra preocupação constante. “Fornecemos os equipamentos para as conveniências e supermercados e no calor extremo os freezers necessitam de manutenção constante. Temos mais de mil espalhados pelo Estado, então imagina como é a logística para fazer as visitas técnicas”, afirmou a gestora da empresa, administradora Aline Verardi. Ela acrescenta que são produzidas 240 toneladas de gelo por dia e que, durante o verão, o maior aumento do consumo se dá no Litoral do Estado.
Karina Pieretti, moradora do bairro Partenon, viaja com a família para aproveitar o Litoral e sempre leva a caixa térmica. “Passamos o dia na beira da praia, comendo sanduíche e bebendo água e suco para nos hidratarmos. Por isso, o gelo é essencial para manter tudo fresquinho”, frisou.
O proprietário da distribuidora Gelo Mix, Jonathan Cardoso, também notou este aumento da demanda. “Fevereiro começou com altas vendas, 17% a mais do que fevereiro do ano passado”, disse. Além da temperatura, outro fator que propicia o consumo do produto, segundo ele, é a falta de energia elétrica. “Muita gente compra o gelo para substituir a geladeira nestes dias de falta de energia”, disse
Guilherme Quevedo, empresário do ramo de alimentos, vive esta realidade. “Quando esquenta demais, a chuva vem em seguida. E com ela sempre a de falta de energia. Eu recorro ao gelo como uma alternativa para conservar os alimentos mais perecíveis”, destacou.
Conforme o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Antônio Cesa Longo, a demanda de consumo do produto aumentou muito. “É incalculável o aumento do consumo de gelo. Nós só podemos dizer que foi bastante expressivo ”, assinalou.