Cidades

Comércios de Eldorado do Sul ainda buscam limpar marcas da enchente de três meses atrás

Centro de distribuição de donativos no município também busca voluntários para seguir operando

Samuel segue com limpeza do espaço onde família mantém comércio no bairro Cidade Verde
Samuel segue com limpeza do espaço onde família mantém comércio no bairro Cidade Verde Foto : Camila Cunha

O jovem Samuel Santos, 18 anos, limpava com auxílio de um lava jato na manhã desta terça-feira uma das três unidades de um bazar da família na avenida Lucas Espíndola, bairro Cidade Verde, em Eldorado do Sul, na região metropolitana. Ali, parece que a enchente de três meses atrás parece que foi há menos tempo. Ainda não houve como mover muitas coisas do lugar, enquanto o barro segue tomando conta do espaço e o entulho, deixado na calçada há duas semanas, segue sem ter sido removido.

Enquanto mostra onde ficavam o caixa, prateleiras, o estoque de brinquedos e produtos para festas, o funcionário reflete sobre o prejuízo de cerca de R$ 700 mil no negócio. “Éramos a única loja de fantasias e afins de Eldorado do Sul. Na Semana Farroupilha vendíamos pilchas, e no Halloween, tinha fila aqui”, comenta ele. “Essa avenida chegou a ser a mais movimentada de Eldorado. Agora, parece um lugar fantasma”, comenta Samuel.

Poucos estabelecimentos nesta região voltaram a operar, porém os montes de entulho, em menor número, continuam pontilhando as vias. A limpeza da loja, que fica em uma esquina, é realizada por ele e eventualmente por voluntários, muitos dos quais já retornaram para seus afazeres. Antes da água subir na loja, os funcionários ensacaram itens e os subiram ao segundo andar, só que a água da cheia alcançou cerca de três metros de altura, chegando próxima ao telhado.

Uma das três lojas não será mais reaberta, informou ele. Samuel e a família vivem no bairro Centro Novo, outro fortemente atingido pela enchente, embora em menor proporção. Na sua casa, a enchente não chegou a alcançar o segundo andar. “Não está dando para beber a água, então pegamos de um centro de distribuição aqui do lado, na outra esquina. Avisaram que não é recomendado por alguns meses”, explicou o jovem. Procurada, a Corsan negou a informação de que a água distribuída pela companhia estaria imprópria para consumo, e “disse que atua com todos os processos necessários para garantir a potabilidade exigida pelos órgãos competentes” (leia nota completa abaixo).

O centro em questão foi montado pelo Grupo Voluntário Nosso QG em junho, em um espaço sem uso cedido por um supermercado, sem cobrança de aluguel. Ele é mantido pela jornalista Simone Boneberg, também de Eldorado do Sul. O grupo realiza doações de roupas, que estão no local às milhares de peças, cestas básicas, água e eletrodomésticos encaminhados tanto por empresários, quanto por pessoas da comunidade, de terças-feiras a sábados, das 17h.

Só que o local está precisando de mais apoio de voluntariado para separação dos materiais. “Aqui é um grande QG social. Quando entramos, havia uns cinco centímetros de lama no chão. Agora, existe muito pó. No dia 20 de junho, houve a ameaça de uma nova cheia, e os voluntários trabalharam incansavelmente, ensacando todas estas roupas. Tivemos de colocar sacos de areia. Hoje, estamos sem braços, e estamos precisando para nos ajudar.”, afirmou ela.

O Nosso QG ainda tem outro prédio próximo, cedido para as triagens das cestas. “É muito desafiador. Ainda que este local seja precário, estamos tendo muito apoio. Todo mundo é voluntário e está fazendo por amor, ninguém pede doações em dinheiro, e estamos trabalhando com o que temos. São todos civis, não recebo doações de governo, nada”, ressalta ela. O contato para se voluntariar no grupo é com Simone no telefone e WhatsApp (51) 99988-0907.

Leia a nota completa da Corsan

A Corsan atua com todos os processos necessários para garantir a potabilidade exigida pelos órgãos competentes. A rotina de análises da água que é captada nos mananciais, tratada nas estações da Companhia e distribuída para o consumo segue a Portaria 888 do Ministério da Saúde e foi adequada à realidade do momento no Rio Grande do Sul - devido às enchentes - para assegurar o padrão de qualidade de sempre. A Companhia dobrou a quantidade de análises diárias – são mais de 500 em cada unidade de tratamento; os laboratórios foram aprimorados com novos equipamentos e reforçada a parceria com os institutos de aferição e certificação.

Somente depois de passar por todas as etapas de exames minuciosos é que a água segue aos reservatórios, de onde é destinada para a população.

Todas as etapas do tratamento da água são permanentemente fiscalizadas pelas agências reguladoras e pelos órgãos ambientais competentes. Com isso, a Companhia garante ainda mais a qualidade da água que é fornecida à população em todas as regiões atendidas no Estado.

A Corsan faz a captação de água bruta em mananciais – como rios, arroios e barragens –, por meio de bombas. A água segue daí para as estações de tratamento, onde passa por rigorosos processos de purificação (floculação, decantação, filtração, desinfecção, fluoretação e bombeamento para reservatórios).

Garantia da qualidade - Além dos testes diários feitos em todas essas unidades, a Corsan conta ainda com o Laboratório Central, localizado em Porto Alegre, acreditado pelo Inmetro segundo ISO 17025, Norma que estabelece requisitos de competência para laboratórios de ensaios. Ele atende os 317 municípios abastecidos pela Corsan no Estado e segue rigorosamente todos os padrões estabelecidos pela portaria de potabilidade.

No Laboratório Central, a equipe de microbiologistas da Companhia monitora cerca de 100 parâmetros exigidos pelas portarias de Potabilidade do Ministério da Saúde e de Agrotóxicos da Secretaria Estadual de Saúde. Entre esses estão análises microbiológicas - que verificam a presença de organismos patogênicos, como bactérias, vírus e protozoários; também os testes de desinfecção, que medem os níveis de substâncias usadas na desinfecção da água, além dos testes para detecção de metais pesados.

O Centro de Operações Integradas (COI) da empresa acompanha, de maneira ininterrupta, o tratamento de água nos 317 municípios onde a empresa opera. O monitoramento é feito 24 horas por dia e durante 365 dias por ano. Qualquer anomalia nos parâmetros de potabilidade da água (como cor, odor, gosto, flúor, turbidez, cloro livre e alumínio residual) é detectada em tempo real, favorecendo a tomada das devidas providências.