Cidades

Comércios no entorno da Arena, na zona Norte de Porto Alegre, começam a reabrir após a enchente

Recentemente licenciados novamente, bares voltam a receber funcionários para limpeza da sujeira acumulada da inundação

Éder, funcionário de um dos bares, trabalhava limpando as geladeiras na manhã desta quarta
Éder, funcionário de um dos bares, trabalhava limpando as geladeiras na manhã desta quarta Foto : Pedro Piegas

A zona Norte de Porto Alegre segue se recuperando dos efeitos das enchentes de maio, passados quase quatro meses do começo da inundação. Apesar de a água já ter ido embora há tempos, e não haver novos bloqueios, as marcas nas paredes e muros estão por diversos locais na Vila Farrapos e bairro Humaitá, onde a inundação alcançou o segundo andar de incontáveis residências e comércios. No entorno da Arena, não são poucos os bares retornando à ativa nesta semana.

Os proprietários aproveitam tanto a retomada do estádio do Grêmio para jogos, a partir de domingo, o que deve trazer tanto a garantia de público constante e nova vida aos comércios, quanto a recente liberação de trânsito das vias próximas. Em um destes bares identificados com o clube, na esquina da avenida Padre Leopoldo Brentano com a rua Monsenhor Arthur Wickert, o atendente Éder Silva Goulart trabalhava na manhã desta quarta-feira atirando água com um lava jato em refrigeradores, a fim de remover a sujeira ainda acumulada da enchente. Outras garrafas próximas, também sujas, seriam devolvidas à distribuidora de bebidas para serem trocadas por novas.

O funcionário disse morar na Vila Asa Branca, no Sarandi, um dos locais mais afetados pela inundação da Capital, com a esposa e duas filhas, de dez e quatro anos. Depois de recompor a família, ele agora se volta para ajudar no trabalho. “Agora conseguimos reabrir em função das licenças necessárias. Estavam todos os bares fechados aqui. Acho que ainda não será possível lucrar o mesmo do que antes da enchente, porém já é um bom começo”, disse ele. “Graças ao público da Arena que vem para o jogo, conseguimos nos sustentar”.

O bar em questão pertence a um casal de amigos. Goulart contou que ele próprio não conseguiu obter auxílio de nenhum governo, mas contou com a ajuda de amigos que trabalham em lojas de materiais de construção para conseguir um telhado novo, já que, em sua residência, a altura da água superou os três metros. Ainda obteve doações de alimentos de demais pessoas. “Trabalho aqui há dois anos, e fora daqui atuo com reciclagem. Tenho o exemplo do meu pai, que ensinou a não parar jamais.”