As chuvas registradas no Vale do Sinos nesta semana amenizaram o risco de desabastecimento, devido ao baixo nível do Rio dos Sinos. Entre quarta-feira e quinta-feira, a elevação chegou a 14 centímetros em Campo Bom e a 20 centímetros em São Leopoldo, nas estações que servem de referência para o Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).
De acordo com o boletim diário divulgado pelo DRHS, a condição da bacia hidrográfica do Sinos está em atenção, com cotas de 1,54m em Campo Bom e 1,70m em São Leopoldo. No último sábado, dia 25, quando o nível do Sinos chegou a 1,19m em Campo Bom, a condição chegou a ser elevada para alerta. Isto ocorre quando a medição aponta menos de 1,20m na cidade, ou 0,50m em São Leopoldo.
Com a elevação do Sinos, as maiores cidades da região descartam, neste momento, o risco de desabastecimento da população. Conforme o Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) de São Leopoldo, com 1,70m o nível segue bem superior à capacidade, cuja bomba consegue realizar captação de água bruta até 0,50m.
A estabilização também é reforçada por quem conhece o Rio dos Sinos há quase cinco décadas, como é o caso do aposentado Roberto Fogaça, de 80 anos. “Durante o verão, o nível dele é assim mesmo. Só preocupa (o desabastecimento) se ele baixar mais. Ainda assim, no Centro, onde moro, é muito difícil que isso aconteça”, explica.
Ainda assim, em nota, o Semae destaca a necessidade de que seja evitado o desperdício. “A água é um recurso essencial e seu uso consciente garante abastecimento para todos. Nossa missão é fornecer água com qualidade e incentivar a preservação, porque cada gota conta”.
Em Novo Hamburgo a situação é semelhante. Segundo a Companhia Municipal de Saneamento (Comusa), nesta quinta-feira o nível do rio está em 2,78m na margem de captação de água bruta. Na cidade, há alerta apenas quando o nível é inferior a 2m. “Em alerta, não significa que vá causar desabastecimento, mas o tratamento leva um pouco mais de tempo do que o habitual e ocorre baixa pressão nas áreas mais afastadas das redes distribuidoras”, explica, em nota, a Prefeitura.
Mesmo distante da condição de alerta, há o pedido de uso consciente, especialmente durante o verão. “Em dias de calor extremo, pedimos que a população utilize a água de forma consciente, para não secar os reservatórios e deixar partes da cidade desabastecidas”, informou a Comusa.
Jacuí segue estável nas ilhas de Porto Alegre
Outro importante manancial da região, o Rio Jacuí também não preocupa, em um primeiro momento, pescadores e moradores da região das ilhas, em Porto Alegre. Por outro lado, os bancos de areia e o assoreamento dos rios são desafios que, somente após o início da pesca, serão devidamente conhecidos.
Conforme o presidente da Colônia de Pescadores Z-5, Gilmar da Silva Coelho, o término da piracema – período de reprodução dos peixes – na sexta-feira (31), fará com que os pescadores iniciem a temporada no início da próxima semana.
Para Coelho, ainda é cedo para saber se haverá prejuízo para a navegação das pequenas embarcações. “Não sabemos ainda o que está impactando, porque o pessoal nem começou a pesca, mas o nível do Jacuí está normal para o verão aqui na Colônia”, relata. “Nas cabeceiras dos rios o nível está mais baixo, mas não a ponto de preocupar”, completa.
Também na Capital, o nível do Guaíba está em 1,42m na Usina do Gasômetro nesta quinta-feira, indicam dados da Agência Nacional de Águas (ANA). De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), não há nenhuma restrição à captação de água para tratamento e fornecimento à população. Este tipo de dificuldade começa a aparecer quando o nível é inferior a 0,4m.
Gravataí permanece em condição crítica
Ao contrário do Sinos e Jacuí, a situação do Rio Gravataí é considerada a mais preocupante. O boletim diário emitido pelo DHRS indica 1,28m na estação de captação da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan).
Questionada pelo Correio do Povo sobre os impactos da condição crítica na bacia hidrográfica do Gravataí, a Sema se manifestou, em nota, em que explica a suspensão da captação de água no manancial. A medida afeta todos os usos da água, sendo permitida apenas a captação destinada ao abastecimento público.
A suspensão permanecerá enquanto o nível do rio se mantiver em nesta condição, que ocorre quando o nível do Gravataí atinge 1,30m ou menos na estação da Corsan em Alvorada e 0,50 m ou menos na captação de Gravataí.
A Secretaria informou que tem intensificado o monitoramento e acompanhamento das estiagens no Estado desde 2019, com um enfoque mais acentuado em períodos de severa escassez de chuvas. “O DRHS, em colaboração com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e o Comando Ambiental da Brigada Militar, executa ações periódicas de comunicação e fiscalização para garantir o cumprimento das normas estabelecidas”.