A elevação dos rios Pardo e Jacuí forçou a retirada preventiva de famílias em Rio Pardo, no Vale do Rio Pardo. Segundo a Defesa Civil, até o início da tarde de sexta-feira, ao menos 40 pessoas de cerca de 15 famílias foram levadas para abrigos da prefeitura.
Outras pessoas também buscaram abrigo em casas de parentes e amigos. “Estamos trabalhando de forma preventiva. Retiramos as famílias antes da água chegar às casas, o que garante mais segurança para as pessoas e nos permite salvar também móveis e eletrodomésticos”, explicou o coordenador da Defesa Civil, Dimas Gottardo.
Ele destacou que bairros como Praça da Ponte e Boa Esperança são os mais afetados. “O Rio Pardo transbordou ainda na quarta-feira e continua subindo. Essa água vem de Santa Cruz, Sinimbu e Candelária e deságua aqui, onde se encontra com o Jacuí, que também está elevado, mas com boa vazão, sem represamento, o que ajuda no escoamento”, completou.
Em áreas mais baixas, moradores também se mobilizam para deixar as casas. Alcerino da Silva, de 72 anos, que vive na localidade da Aldeia, preparava um reboque para retirar os pertences. “O rio está subindo. Vou tirar as coisas. O vizinho também está preparado, mas ainda não quer sair. Da outra vez não deu tempo”, contou.
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No bairro Praça da Ponte, Marcelo Silva de Oliveira, de 50 anos, está preparado para o caso de precisar deixar o local às pressas. “Morava em outro bairro que foi atingido pela enchente do ano passado. Aqui os vizinhos dizem que a água deve chegar no pátio, mas não dentro das casas. Para nós é tudo novo, mas eles já estão acostumados. Mesmo assim, já encaixotamos tudo e temos uma saída pelos fundos se for preciso”, disse.
No São Jorge, Carlete Rosa, de 53 anos, acionou a Defesa Civil para retirar os móveis. “A água está cada vez mais perto. Antes que escureça, temos que sair. É horrível viver isso. Agora estou sentindo na pele o que os outros passaram. Não vale a pena arriscar”, lamentou.
O coordenador Gottardo ressaltou que o monitoramento é constante nos acessos, principalmente a Cachoeira do Sul, que já é ameaçado pela elevação do nível do Rio Pardo. “Estamos atentos também ao que desce de Santa Cruz. Por enquanto a ERS 403 segue liberada, mas não dá para cravar que o nível do rio já estabilizou. A natureza surpreende e é preciso estar sempre em alerta”, completou.