Continua a distribuição de kits de limpeza e cestas básicas em Porto Alegre para as famílias inscritas no Auxílio Reconstrução. As filas têm sido frequentes e começam ainda na noite anterior à retirada. Na Associação de Moradores da Vila Tecnológica (Amovitec), bairro Farrapos, na zona Norte, que funciona das 8h30min às 17h, são 350 fichas por dia. As 200 primeiras recebem os materiais, doados pelo Exército, no período da manhã, e o restante à tarde.
Somente um CPF por família pode fazer a retirada dos kits, que incluem 23 quilos de alimentos, mais higiene pessoal e limpeza. Nos próximos dias, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), começam as entregas dos kits dormitório e colchões de solteiro, ambos na quantidade de até dois por família. Com a alta demanda, a entidade já afirma que praticamente não consegue dar conta da população, que vem inclusive de outras partes da cidade.
“Começamos com 50 fichas por dia, e no segundo dia, já foram 100. Depois, 200. Agora fomos comunicados de que são 350. Temos um espaço reduzido e não há suporte para isto”, disse nesta terça-feira a coordenadora do Serviço de convivência e fortalecimento de vínculos da Amovitec, Sandra Madalena Rosa. Além da associação, os kits também são entregues na Sociedade Meridional de Educação (Cesmar), no bairro Mário Quintana, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 16h.
A SMDS também afirma que a intenção é expandir as entregas, e outras entidades estão sendo procuradas para aumentar a distribuição. A própria Amovitec foi afetada pelas enchentes, estimando as reformas necessárias em R$ 585 mil. São R$ 387 mil para o espaço voltado ao atendimento das crianças da Educação Infantil, de zero a seis anos, à qual 120 crianças eram atendidas antes das cheias, e R$ 198 mil para o serviço de convivência, de seis a 15 anos, atendendo outras 120. A entidade tem parceria com a Prefeitura.
“Buscamos outras parcerias. O ideal é voltarmos a atender nossas crianças. Por enquanto, estamos levantando dinheiro com a comunidade, porém não é ainda suficiente”, comenta Sandra. Outro problema relatado por ela é a falta de um reforço da Guarda Municipal para conter eventuais conflitos. “Pedimos no começo, mas até agora não fomos atendidos”, disse. Procurada, a Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG) disse em nota que "a Guarda Municipal incluiu a Associação de Moradores da Vila Tecnológica na rotina de patrulhamentos das guarnições que atuam no bairro Farrapos."
A moradora Nilza Souza, do bairro Teresópolis, contou que havia chegado ao local às 6h30min, e havia conseguido a ficha de número 207. “Quando cheguei aqui, já estava uma multidão. Com certeza, este kit vai nos ajudar”, comentou ela. Já o aposentado Eni Luiz Xavier, do Navegantes, contou que a cheia afetou sua casa. Ele também conseguiu os itens depois de ser a ficha acima do número 200. “Este kit já é uma grande ajuda. Nestas horas, a gente precisa bastante”, afirmou. Não houve, segundo os moradores, dificuldades na concessão do Auxílio Reconstrução.