A temporada de pesca começou no sábado (1º), após o fim da Piracema, mas os primeiros dias foram marcados por relatos de poucos peixes no Rio Jacuí e no Guaíba, especialmente na região das ilhas de Porto Alegre e em Eldorado do Sul. Além da baixa quantidade de pescado, pescadores apontam a presença significativa de palometas (espécie de piranhas) na água.
O presidente da Colônia de Pescadores Z-5, Gilmar Coelho, afirma que ainda não há um levantamento preciso sobre a pesca nos primeiros dias. “Muitos saíram para pescar e ainda não retornaram. Alguns aproveitam para acampar, então só teremos um cenário mais claro no final da semana”, explica.
Ele destaca que, apesar do nível mais baixo dos rios, não há prejuízo na navegação para embarcações pequenas, ao contrário do que ocorre com os grandes navios que trafegam pelas hidrovias da Capital.
Na Ilha da Pintada, Luiz Otávio Lobo de Oliveira, de 60 anos, enfrenta dificuldades. “A pesca está muito ruim. Hoje consegui só 20 quilos, quando o esperado seria pelo menos 100 quilos. O Guaíba está mais baixo, mas ainda navegável. O problema é que não tem peixe”, relata.
Para o pescador William Viega, de 57 anos, a escassez de peixes agrava ainda mais a situação de quem ainda não recebeu o seguro-defeso. “Começamos a pescar no sábado e voltamos no domingo. Hoje peguei só três peixes. Meu seguro ainda está em análise e, além disso, o peixe está difícil”, lamenta. Segundo ele, o assoreamento do rio é mais perceptível do Beira-Rio para baixo, já no Guaíba.
De acordo com o presidente Gilmar Coelho, cerca de 700 pescadores fizeram o cadastro para receber o seguro, junto à Colônia Z-5. Destes, cerca de 134 ainda permanecem em análise. Os demais, de algum modo, já tiveram algum retorno. “O seguro-defeso está atrasado, mas, nos últimos dias, começou a sair alguns lotes. Acredito que em até uma semana todos terão as datas de recebimento”, justifica.
Além do problema relacionado ao baixo nível da água, o pescador Oliveira acredita que as enchentes de 2024 também podem ter afetado a população de peixes na região. “Agora que podemos pescar, eles não aparecem. O rio está sujo, com a presença de algas. O que tem de peixe é bagre, justamente o que não podemos pegar”, afirma.
Apesar da estiagem e do nível mais baixo dos rios, prefeituras e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) descartam risco de falta d'água. Em Eldorado do Sul, no bairro Sol Nascente, a queda no nível do Guaíba expôs raízes, troncos e pneus antes submersos, mas a população local não vê motivo para preocupação.
Assim como o poder público, a comunidade ainda não tem, neste momento, um receio de que a situação possa se agravar a ponto de faltar água nas torneiras. “No verão, geralmente, o rio fica assim, mais baixo, mas nossa água vem do Guaíba e nunca tivemos problemas com desabastecimento”, afirma o aposentado Ceniro Soares, de 59 anos.