As operações do Catamarã, retomadas pela empresa CatSul na quarta-feira, ainda enfrentam um grande obstáculo: a indisponibilidade do túnel de acesso junto à Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre. O túnel, que conecta os usuários ao Cais Mauá para o embarque no Catamarã, permanece alagado com vários centímetros de água das recentes. Além disso, as perspectivas de normalização dependem da completa drenagem da Estação Mercado.
Com a inundação, os usuários são obrigados a contornar uma extensa parte do Muro da Mauá para chegar ao Cais, o que gera transtorno e demanda a paciência. Diante da situação, é levantado o debate sobre a responsabilidade pela manutenção do túnel. Consultadas, todas as partes envolvidas — CatSul, Trensurb e Prefeitura de Porto Alegre — negam qualquer responsabilidade direta pelo túnel.
A CatSul, responsável pelo transporte hidroviário, esclarece que a situação só será normalizada após a Trensurb concluir o esgotamento da água na Estação Mercado e reativar as bombas elétricas, essenciais para evitar que a água da estação escoe para o túnel. Enquanto as bombas elétricas não estiverem funcionando, mesmo que sejam retiradas, a água continuará retornando ao túnel.
Além disso, a CatSul afirma que a manutenção tem sido feita através de uma parceria da empresa com a União e Cisne Branco para que as pessoas utilizem uma passagem limpa e cuidada. Mas, ressalta que faz por respeito ao cidadão e não por obrigação. Já a Portos RS, responsável pela concessão do Cais Mauá, informou que a responsabilidade sobre túnel é da empresa de trens.
A Trensurb, por sua vez, emitiu um comunicado em que afirmou que túnel, ao longo da história, serviu para acesso ao Cais do Porto, “sem que houvesse qualquer relação com as atividades desenvolvidas pela Trensurb”. A empresa diz que, com a implantação do transporte hidroviário, essa realidade se alterou, pois o acesso passou a ser fundamental para os usuários do catamarã. “A gestão do referido acesso (túnel) não faz parte do planejamento da Trensurb, não permitindo, desta forma, a assunção da gestão deste acesso, que exige custos para a garantia da limpeza, manutenção, segurança e controle de acessos”, comunicou a Trensurb.
Procuradas, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) também afirmaram não ter responsabilidade sobre o túnel ou sobre a remoção da água que o inunda, com o entendimento de que a Prefeitura não possui atribuição sobre o local.
Diante do impasse, a previsão é de que a situação do túnel só seja completamente resolvida após a conclusão das obras de remoção da água na Estação Mercado, estimada para o dia 14 de agosto.