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Como foi o dia seguinte do temporal que assustou Porto Alegre

Já no começo da tarde, EPTC contabilizava 54 bloqueios por quedas de árvores em vias

Estrutura se solta de telhado e danifica outra casa na rua Cecília Oliveira Costa, na Vila Farrapos, após forte temporal na tarde do dia 31/03
Estrutura se solta de telhado e danifica outra casa na rua Cecília Oliveira Costa, na Vila Farrapos, após forte temporal na tarde do dia 31/03 Foto : Camila Cunha

Porto Alegre viveu uma manhã desta terça-feira de contabilização dos estragos causados pelo temporal do final da tarde anterior, em que choveu 63,8 milímetros, o maior valor registrado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) no Rio Grande do Sul na data, e os ventos alcançaram 110 quilômetros por hora. No começo da tarde da terça, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) registrava 54 bloqueios por quedas de árvores em vias, sendo 19 totais e 35 parciais.

Desde cedo, houve problemas na Trensurb, cujo serviço normalizou já no primeiro trem, por volta das 5h partindo de Novo Hamburgo, porém houve queda de energia momentânea pouco antes das 7h30min, horário de maior movimento, causando desligamentos de composições e dúvidas de usuários. Na segunda, pelos efeitos da chuvarada, o serviço chegou a ser interrompido entre as estações terminal Mercado e Canoas, provocando grandes filas na estação Mercado para embarques nos coletivos.

A empresa disse, em nota, “lamentar profundamente os transtornos enfrentados pelos usuários”, e que a “segurança de nossos usuários e empregados é sempre prioridade”. Em diversos pontos da Capital, a situação foi caótica, com mais 45 cruzamentos com semáforos fora de operação devido à falta de energia e mais 14 locais isolados em razão de fios energizados. No Centro Histórico, O executivo de vendas Vagner Rech, morador de um edifício na rua dos Andradas, levou um susto quando chegou ao seu veículo estacionado no período da manhã, na rua General Salustiano.

Galhos de uma enorme árvore caíram sobre o carro, bloqueando a saída e a via como um todo na esquina com a Riachuelo. No entanto, não havia estragos aparentes no automóvel. Ele disse que estava em seu apartamento, no 10º andar, quando o temporal começou. “Vimos telhados e muito material voando durante uns 20 minutos, e foi bem forte o vento. São árvores antigas, e acho que isto foi muito inesperado. Mas não imaginava que cairia justamente no meu carro. Hoje vou usar um motorista de aplicativo para ir trabalhar”, relatou ele.

Muitos moradores e curiosos registraram a queda de galhos e árvores inteiras nesta área, uma delas, de grande porte, atingindo inclusive brinquedos da praça. Na rua Gonçalo de Carvalho, no Independência, via conhecida pela arborização de tipuanas em toda sua extensão, galhos atingiram parte da grade do Shopping Total, danificando-a, além de destruir parte do muro de uma antiga residência na esquina com a rua Benjamim Flores. A maior parte deles já havia sido removida da rua, que chegou a ficar bloqueada na segunda.

Já na Avenida dos Estados, em frente a um centro logístico, havia ao menos três equipes da CEEE Equatorial trabalhando, observados por moradores que buscavam respostas para a energia elétrica em meia fase. Entre eles, estava o presidente da Associação de Moradores do Bairro Anchieta (Acomba), Ademir Frasson. “Quando não é água que nos prejudica, é o vento, ou outra coisa, e o prejuízo é sempre somente para um lado, o dos moradores”, disse ele, relacionando o fato com as enchentes de maio de 2024, que também devastaram o bairro.

“A CEEE Equatorial já é demorada nos dias normais, então agora, com chamados de toda Porto Alegre, acredito que será ainda mais complicado. Acho que até o final da tarde haverá uma solução. Já criamos um grupo no bairro, porque temos sérios problemas com energia elétrica. Inclusive, é preciso trocar um transformador que está com sobrecarga na avenida Jaime Vignoli”, salientou. Na avenida Dom Pedro II, bairro São João, a queda de uma árvore bloqueava uma das três faixas da via, uma das mais movimentadas de Porto Alegre, no sentido em direção ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, trazendo ainda mais problemas aos motoristas.

Na Alameda Coelho Neto com Praça Japão, no Boa Vista, um enorme galho caiu sobre outro veículo estacionado no outro lado da via, mas não havia ninguém dele e sua propriedade era desconhecida. O porteiro Abrão Aguiar, que trabalha em uma academia próxima, disse que não estava no local no momento do temporal, tendo recebido relatos de colegas sobre o incidente envolvendo o vegetal, que já estava oco, com parasitas e sinais de podridão.

“Esta árvore até não nos causava grandes problemas, e inclusive pessoas estacionavam embaixo dela. Nos preocupa outra mais adiante, para a qual já havíamos pedido intervenções. Esta estava mais bem conservada do que aquela”, afirmou Aguiar. Na rua Padre Leopoldo Brentano, próximo à Arena do Grêmio, muitas residências e comércios tiveram os telhados arrancados. Alguns toldos com estruturas metálicas foram arrastados pelo vento a pelo menos 200 metros de distância. Um poste de concreto quebrou e ficou caído no chão.

Todos os moradores e comerciantes da região estão sem luz e sem água. Hoje pela manhã, os moradores recolheram os entulhos e depositaram sobre o canteiro em frente ao estádio de futebol. “O vento ficou rebojando e girando o telhado do vizinho. Se o vento tivesse continuado tinha voado o madeiramento da minha casa”, contou a moradora Kellen Bender, que teve a casa destelhada e a caminhonete atingida por destroços de telhados.

Na rua Cecília Oliveira Costa, na Vila Farrapos, telhas chegaram a cair sobre a via e postes tombaram. A rua estava sem luz e água. Técnicos da CEEE Equatorial estavam no local. “Estava apenas meu sobrinho em casa, então imagina o grande susto. Porém ficou tudo bem e ele foi para a aula hoje. Estamos buscando alguma ajuda agora para poder entrar e sair da residência sem problemas”, contou o impermeabilizador Kassiano Alves de Souza, que vive em uma casa de dois andares parcialmente danificada por parte do telhado.

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Colaborou Vitória Miranda