Cidades

Como secas históricas de 1917 e 1943 no RS foram assunto no Correio do Povo

Há mais de cem anos, temperaturas alcançaram marcas superiores a 42ºC no interior gaúcho

A atual onda de calor vem trazendo transtornos a toda a população, inclusive com a maior temperatura já registrada na história do Rio Grande do Sul, com 43,8ºC em Quaraí, na Fronteira Oeste, na última terça-feira, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Porém, as altas temperaturas já foram vistas em outros momentos no Rio Grande do Sul. Em épocas em que as medições eram feitas de forma diferente, o Correio do Povo registrou, em sua edição de 20 de janeiro de 1917, temperatura máxima de 42,3ºC em Alegrete, e 38,9ºC em Porto Alegre, às 11h.

Uma pessoa, inclusive, foi vítima de insolação na Capital, conforme esta publicação. Na capa do dia 12 de maio de 1943, o jornal informava que havia riscos de perda de “50% dos rebanhos”, e 100 mil cabeças de gado poderiam ser perdidas em Uruguaiana. A reportagem manifestava preocupação com a chegada do inverno, o que poderia aumentar novamente os prejuízos causados pela seca anterior.

Nota do Correio do Povo de 20 de janeiro de 1917 mostra temperaturas recordes no Rio Grande do Sul | Foto: Reprodução / CP Memória Reportagem do Correio do Povo de 23 de maio de 1943 mostra prejuízos com estiagem | Foto: Reprodução / CP Memória

"Mas se a copiosa chuva de ontem abre esperanças para o futuro, no que diz respeito à recuperação das pastagens, não afasta, no entanto, a possibilidade de prejuízos ainda maiores, por ocasião da época invernosa”, escreveu o Correio do Povo, na ocasião. No município de Colinas, no Vale do Taquari, marcas em rochas feitas em 1943 às margens do rio Taquari foram vistas novamente no ano de 2012, devido a outro episódio de seca. No mesmo período, o jornal registrou que a Secretaria da Agricultura, do governo do Estado, a concessão de crédito e com pagamento a prazo estendido aos agricultores gaúchos atingidos pela seca.

Em 23 de maio de 1943, também o jornal salientou as perdas na pecuária e “devastação das lavouras”, mas que a situação havia melhorado desde então. A então União dos Cabanheiros do Rio Grande do Sul havia capitaneado os esforços para auxiliar os produtores neste sentido, conforme a publicação. Naquele ano de 1943, assim como ocorre atualmente, não fazia tempo que o Rio Grande do Sul havia passado por uma larga enchente.

Em 1941, por exemplo, choveu por 22 dias de maneira ininterrupta em Porto Alegre, elevando o nível do Guaíba a 4,76 metros, o mais alto até então. Já a estiagem atual ecoa as enchentes de maio de 2024, em que o nível do principal curso d’água da Capital chegou a 5,37 metros, inundando grande parte da cidade. Houve outras ocorrências de estiagens depois destas, com as mais graves, de acordo com o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, nos anos de 2005, 2020 e 2023.