A Ilha do Pavão, no Arquipélago de Porto Alegre, sofreu muito com a pior enchentes da história da Capital. A região está em uma situação de extrema vulnerabilidade. A ajuda de voluntários leva um pouco de esperança para a comunidade que aguarda ansiosa o retorno da água e luz para uma tentativa de retorno à normalidade.
Sandra Ferreira, presidente da Associação Vitória da Ilha do Pavão, relatou a devastação completa da região, onde "não ficou nada, apenas a marquise do posto de saúde e a pontinha da associação".
A força das águas obrigou todos os moradores a se refugiarem em abrigos ou em casas de parentes. Sandra retornou à ilha nesta quarta-feira e, com as doações recebidas, preparou almoço para 60 moradores. A preparação da refeição ficou mais difícil devido a falta de água e luz, mas ela não desanimou.
Esforço Coletivo e Solidariedade
A ajuda da comunidade e de voluntários tem sido essencial para a recuperação da Ilha do Pavão. No último final de semana, 120 voluntários se mobilizaram para ajudar na limpeza das áreas afetadas, utilizando caminhões-pipa e geradores de energia doados.
Sandra destacou a importância dessas ações, mencionando que "sem água e sem luz, a ajuda dos voluntários é nossa única esperança".
O esforço coletivo também se refletiu em doações de equipamentos essenciais, como fogão e geladeira para a Associação.
Reconstrução e Incertezas
Alagamento não é uma novidade para a comunidade da Ilha do Pavão. Sandra, que mora na ilha há sete anos e fundou a associação em um local que era "um buraco, sem nada e sem moradores", lamenta a falta de apoio governamental.
"O prefeito prometeu soluções na primeira enchente, mas até agora nada foi feito", desabafa Sandra, expressando a frustração de não saber para onde as pessoas desalojadas irão.
Idaiana Almeida mora há 10 anos Ilha do Pavão. Ela encontrou sua casa completamente destruída e agora se depara com a árdua tarefa de reconstruir.
“Eu perdi tudo. Consegui lavar uma parte da sala para ficar com as crianças. A outra parte, o banheiro, desmoronou. A água destruiu tudo,” relatou, enquanto tentava limpar o que restou de sua moradia. A falta de recursos básicos como água e eletricidade torna a recuperação ainda mais desafiadora para ela e seus cinco filhos.
Apesar da adversidade, Idaiana se recusou a abandonar seus animais de estimação. “Primeiro saíram as crianças, depois eu tirei eles, e os militares me ajudaram a atravessar a ponte, porque tinha muita água. Eu estava com sete cachorros e sete gatos,” contou.
Durante a enchente, Idaiana foi forçada a buscar abrigo em locais mais seguros. “Eu fui para uma casa de parente, voltei para casa na sexta-feira passada,” disse ela, referindo-se à dificuldade de se manter em abrigos devido à quantidade de animais que possui. A casa da sobrinha no Partenon, serviu como refúgio temporário até que fosse seguro retornar.
“Aqui é a nossa casa, é o nosso cantinho. Pagar o aluguel não dá,” afirmou, tentando estabelecer uma normalidadeem meio aos escombros.
Água e Luz
O Departamento Municipal de Água e Esgotos ( Dmae) explicou que a região das ilhas tem muitas redes que foram danificadas, assim como o pavimento. “As equipes estão na região identificando essas fugas d’água e realizando o conserto”.
A CEEE Equatorial informou que “não existe falta de energia de forma geral na região das Ilhas, e sim desligamentos feitos por questão de segurança. As equipes da companhia estão totalmente mobilizadas e monitorando as áreas para restabelecer o serviço de energia elétrica o mais rápido possível nas áreas que foram alagadas, seguindo as normas de segurança e as orientações dos órgãos competentes”.