O Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) foi palco de momentos de reflexões sobre a nova realidade do Rio Grande do Sul a partir dos efeitos das mudanças climáticas. A Conferência Científica de encerramento do projeto RS Resiliência & Sustentabilidade, promovido pela Secretaria para Apoio à Reconstrução do RS (SERS), do governo federal, reuniu pesquisadores e estudantes para discutir e conhecer ações para mitigar eventos climáticos.
Um dos momentos aguardados foi a palestra com Sara Ahmed, economista filipina e conselheira do V20, um grupo de países mais vulneráveis às mudanças do clima. Ela conta que o bloco possui, atualmente, 70 países que representam cerca de 20% da população mundial, mas contribuem com apenas 6% da emissão de gases do efeito estufa no planeta. Apesar disso, ela conta que esses países precisam de R$ 49 bilhões ao ano em investimento, até 2030, para desenvolvimento e proteção da natureza.
“A realidade é que grande parte dos financiamentos não chegam a quem mais precisa. O custo dessa inação é maior do que o investimento. Esses países perderam cerca de 20% de seu Produto Interno Bruto (PIB) por conta das mudanças climáticas. Nós temos que mudar de gestão de crise para geração de oportunidades. A nossa capacidade de sobreviver ao futuro está ligada à resiliência”, explicou Sara.
Ela apresentou planos de prosperidade climática que alguns países do V20 estão aplicando. Em Bangladesh, ela contou, o governo tem liderado o processo de resiliência a partir de sistemas de alertas para eventos extremos. Já no Sri Lanka, a estratégia a longo prazo prevê um foco na geração de energia eólica off shore, garantindo que os produtores agrícolas também façam parte do plano.
“Todos esses países estão criando zonas de economia verde para melhorar a competitividade. E a pesquisa é importante para isso, pois é a base sólida para projetos verdes e de transformação. O destino dos vulneráveis hoje será o destino do mundo inteiro amanhã”, completou Sara Ahmed.
- Cientistas cartografam o leito marinho, mais desconhecido do que a Lua
- Nível do mar subiu mais do que o previsto em 2024, segundo Nasa
- Governo Federal celebra a assinatura de mil contratos no Compra Assistida para atingidos pela enchente
Na sequência, a diretora de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Inamara Mélo, apresentou a agenda que a pasta tem trabalhado nos últimos anos. “Entendemos o desafio que é a agenda de mitigação dos efeitos dos gases estufas e reflexos dos desastres clínicos. Essa é uma pauta que se estende por toda a esplanada ministerial. Não é possível pensar em qualquer política pública que não leve em consideração o contexto de mudanças climáticas”, afirmou.
Na abertura do evento, o chefe do SERS, Maneco Hassen, destacou que o projeto RS Resiliência & Sustentabilidade, do qual o congresso faz parte, foi pensado para servir de legado de reflexões sobre as perspectivas do RS frente a nova realidade climática. Ele salientou ainda que é preciso agir e assumir condutas necessárias para enfrentar este tipo de problema e que os pesquisadores e cientistas são essenciais nesta etapa, ao apontar caminhos de superação de potenciais danos.
“O desastre que vivemos há quase um ano foi paradigmático de uma mudança de era. Existem vários indícios de que a mudança do clima já está interferindo em vários aspectos da vida das pessoas e da economia gaúcha. O mais importante, eu acho, é que são cientistas gaúchos, professores em nossas universidades federais, que estão falando”, finalizou.
O evento segue até o final da tarde com painéis e debates sobre diversos temas, como a inundação de 2024, os impactos socioeconômicos dos eventos extremos, as inovações para o enfrentamento de crises climáticas e práticas de adaptação e resiliência. O encontro conta com a participação de pesquisadores em diversas universidades federais do RS.