Em meio à chuva fraca que caía na manhã desta segunda-feira, dezenas de pessoas olhavam para cima para admirar uma obra de arte. É o novo mural que estampa o prédio Duo Concept Corporate, que abrigará a nova sede do Consulado-Geral da Itália no Rio Grande do Sul, que será inaugurado oficialmente em maio, em Porto Alegre. Intitulado “Madre”, a obra de 45 metros de altura produzida pelo Consulado homenageia os 150 anos da imigração italiana. Mas, além disso, busca valorizar a figura feminina migrante, representando histórias de diversas mulheres que vieram ao longo dos anos ao estado.
Uma cerimônia que reuniu autoridades marcou o momento da inauguração. Anteriormente, em coletiva de imprensa, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese e o cônsul-geral da Itália no RS, Valerio Caruso, comentaram sobre a importante inauguração, com a presença da artista visual e muralista Hanna Lucatelli, autora da obra, e a curadora italiana Giulia Lavínia Lupo.
Caruso destacou que a curadora entrou em contato há cerca de um ano, com a possibilidade de fazer um mural e que precisava ser ambicioso. “Para que pudesse ser algo importante para celebrar a nossa comunidade italiana e doar a nossa comunidade algo à altura do valor que ela teve ao longo dos últimos 150 anos na transformação desse estado”, disse.
O embaixador da Itália destacou que a homenagem representa a história e o mês das mulheres. “É um aniversário não somente da gente italiana, mas também do ano das mulheres. Porque nesta obra de arte está destacada a mulher. É um elemento muito importante da nossa imigração, que passaram tradições italiana, a cultura, a fé, a revolução”.
A artista comentou que, assim como esse, sempre buscou fazer seu trabalho por meio de uma pesquisa profunda, e para isso, buscou depoimentos para trazer a conexão das histórias da imigração, e ainda contou com o apoio de um historiador. “Achei as histórias muito lindas e emocionantes. Existia um orgulho, uma menção muito grande a todos os homens, da família que vieram”, afirma. Mas, no processo, sentiu a falta de uma figura feminina – o que, no fim, foi o fio condutor da concepção artística.
“Ficava imaginando essa figura que deixou tudo para trás, que deixou a rede de apoio, as ligações familiares, para vir com todos esses filhos, e ainda responsável por guardar a memória e por passar a tradição, a religião e os costumes. E como deve ter sido solitário o percurso dessas mulheres”, relata.
Hanna levou 12 dias para concluir a pintura, com o auxílio de um assistente. Foi um trabalho ininterrupto, até mesmo aos finais de semana, começando pela manhã e encerrando no final da tarde. Entre os principais desafios, estiveram as burocracias, o manuseio dos equipamentos e o tempo. “É muito exaustivo, e fazer murais desse tamanho é um trabalho novo na história da arte”, diz.
De acordo com a curadora, o mural partiu de uma pergunta norteadora: o que sentiam as mulheres que, 150 anos atrás, deixaram o próprio país para viver a vida aqui. “Tinha que ser um projeto ambicioso. Tinha que ficar muito ligado ao passado, mas a gente não podia esquecer as gerações futuras, as gerações de agora. Me coloco muito nisso, porque faço parte dessa nova geração de imigrantes que vieram ao Brasil, partindo sozinha. Cheguei e falei, ‘aqui que eu quero morar’, e é aqui que eu estou hoje”.
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Consulado-Geral da Itália no Rio Grande do Sul lança mural em homenagem aos 150 anos da imigração italiana.