Mais uma rodada de pulverizações e conscientização à comunidade ocorreu hoje pela manhã em Porto Alegre, a fim de eliminar a proliferação do mosquito Aedes aegypti. A Capital, até o último dia 10, havia registrado 29 casos de dengue, sendo 14 importados e 15 autóctones, ou seja, contraídos dentro do município, sem que o morador tenha registro de viagem prévia. A aplicação do inseticida foi feita pela empresa terceirizada contratada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS).
Nesta terça-feira, o foco das aplicações foi o entorno de seis ruas da Vila São José, na zona Leste, bairro onde vive grande parte dos pacientes com confirmações para a dengue em 2023. “A aplicação de inseticida é indicada em situações muito específicas e tem por objetivo diminuir a população de mosquitos adultos”, comentou a diretora adjunta da DVS, Fernanda Fernandes. O serviço, previamente agendado, chamou a atenção dos moradores, que aprovaram o mesmo.
“É importante, apesar de eu não ter visto mosquito na minha casa ou no meu negócio. É a primeira vez que vejo eles passando aqui”, comentou o marceneiro Orlando Rodrigues, proprietário de uma pequena oficina na rua Padre Ângelo Costa. A pulverização não tem efeito sobre ovos e larvas de mosquitos, e não elimina completamente os insetos adultos da espécie da área onde é feita. Por isso, além do inseticida, a DVS recomenda a intensificação da eliminação dos criadouros do Aedes aegypti.
Maria Delfina Lima Vieira, que trabalha como técnica em Enfermagem, disse perceber com frequência a presença de mosquitos em sua casa. “Não ficamos doentes ou manifestamos sintomas de dengue. Porém estamos preocupadas com a dengue. Minhas filhas estão bem picadas, mesmo dentro de casa os mosquitos aparecem, inclusive nas roupas penduradas no varal. Não sabemos mais o que colocar para eliminá-los”, comentou ela.
A aplicação é feita em locais de Porto Alegre com confirmação de casos de doenças transmitidas pelo mosquito, como dengue, zika ou chikungunya. Além do inseticida, também estão instaladas 882 armadilhas em 46 bairros. Na semana passada, a DVS coletou 517 fêmeas em 269 destes equipamentos, representando nível de alerta para a infestação. No final de fevereiro, 16 bairros apresentam alta infestação: Cidade Baixa, Costa e Silva, Higienópolis, Mário Quintana, Menino Deus, Passo da Areia, Rubem Berta, Santana, Santo Antônio, Sarandi, Três Figueiras, Vila Ipiranga, São Sebastião, Santa Rosa de Lima, Mont’Serrat e Bela Vista.