Cidades

Contra o zoneamento do Mato do Júlio, moradores de Cachoeirinha fazem buzinaço como protesto

Moradores do Parque da Matriz defendem a preservação do local, especialmente pela área atuar como uma contenção hídrica, evitando o avanço dos alagamentos

Moradores defendem que o solo tem alta capacidade de infiltração
Moradores defendem que o solo tem alta capacidade de infiltração Foto : Caio Baseggio / Coletivo Mato do Júlio / CP

O debate sobre a possível alteração do Plano Diretor Municipal de Cachoeirinha que pretende transformar o Mato do Júlio, uma propriedade privada com 212 hectares, em uma área de zoneamento misto, causa preocupação entre moradores, inclusive com atos oposicionistas e de protesto. A proposta do município, segundo o presidente do Plano Diretor de Cachoeirinha, André Lima, é promover no local uma urbanização sustentável, geração de empregos e atração de investimentos, em conformidade com a legislação ambiental

Como forma de demonstrar o descontentamento com a intenção do governo municipal, o combinado nesta quarta-feira é de que os motoristas buzinem ao passarem em frente à prefeitura. A iniciativa é dos integrantes da comissão dos moradores do Parque da Matriz que defendem a preservação do local, especialmente por conta das frequentes enchentes que têm devastado algumas regiões ao longo do ano.

Elenilso Portela, um dos moradores contra a alteração, diz que o Mato do Júlio atua como uma esponja natural, uma espécie de contenção hídrica. “O solo tem alta capacidade de infiltração, ajudando na prevenção de enchentes e na preservação da biodiversidade local. A área é considerada um refúgio climático e ambiental indispensável para a Região Metropolitana. Na inundação de maio, o Mato do Júlio evitou que milhares de pessoas fossem de serem atingidas pelas águas da enchente”, disse.

Conforme Portela, a comunidade clama para que a prefeitura dê prioridade aos estudos e obras de contenção para evitar mais sofrimento em dias de chuvas torrenciais e consequentemente com a cheia do Rio Gravataí. “O Mato do Júlio atua como uma barreira que minimiza os alagamentos nas comunidades próximas.”

A proposta da Administração é permitir o uso de 15% da área para o desenvolvimento urbano, preservando os 85% restantes. Para o presidente do Plano Diretor, a utilização estratégica da área busca conciliar desenvolvimento com benefícios à sociedade, como melhorias na mobilidade urbana, ampliação de vias e a geração de empregos e investimentos.”