A ERS 118 é uma das principais vias da Região Metropolitana de Porto Alegre, com um trânsito de milhares de motoristas diariamente, seja para o deslocamento ao trabalho ou transporte de mercadorias. E na área central do município de Viamão, perto da rótula da rua José Garibaldi, existe um problema agravado pelas chuvas dos últimos dias, mas que começou antes, há cerca de três meses, quando uma obra do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) teria sido iniciada para conter o entupimento de uma galeria de água por baixo da rodovia.
No entanto, uma semana depois, a obra foi suspensa, e não mais retomada, gerando uma cratera gigantesca a metros da pista principal da rodovia. “Até conseguiram desobstruir a galeria, mas abandonaram aqui”, disse o proprietário de uma indústria de estruturas metálicas localizada ao lado do enorme buraco, Jandir Küch. Há ainda um risco ampliado, porque pedras enormes foram postos ao lado da rodovia, e um bloqueio temporário ocupa parte de uma pista.
Não existe também iluminação pública no trecho. Para chegar à área erodida, é preciso passar a pé pelo montante de pedras, que terminam em um grande trecho com risco de queda. Abaixo, o buraco tem mais de cinco metros de profundidade, terminando em um curto arroio que vem de um condomínio próximo e segue por baixo da ERS 118 na direção do bairro Valença.
Estrutura de trecho da ERS-118 em Viamão, em obras inacabadas, fica deteriorada com sequência de fortes chuvas
No outro lado da estrada, pedras rolaram pelo barranco até próximo do Loteamento Dois Irmãos, no Valença. Neste trecho inacabado, não são incomuns acidentes de trânsito, inclusive com pessoas feridas, disse Küch, cujo estabelecimento fica bem próximo da cratera e ameaça ser atingido por ela. Ingressando ao lado, é possível ver inclusive os cortes transversais feitos ao lado da rodovia, com o asfalto em cima e a terra abaixo.
“Até tinha vontade de instalar a clínica médica da minha esposa aqui, que se mudaria do Centro, mas o risco é muito grande e não tenho vontade de expô-la. Acho que faltou planejamento aqui. Uma obra dessas tem que começar do zero. Deveria ter sido colocada alguma contenção neste local”.
O que diz o Daer
Após a publicação da reportagem, o Daer se manifestou por meio de nota em que afirma que a cratera foi provocada pelo descarte irregular de lixo e que o processo de contratação de uma nova empresa para executar a obra está em andamento.
Confira a nota completa:
O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) esclarece que a situação registrada às margens da ERS-118, próximo à Rua José Garibaldi, em Viamão, foi provocada pelo descarte irregular de lixo. O acúmulo de resíduos obstruiu a galeria de drenagem sob a rodovia, causando o represamento da água e a consequente erosão no local.
O problema é agravado pela presença de ocupações irregulares na faixa de domínio da rodovia. Além de contribuírem para o despejo inadequado de materiais no curso d'água, essas ocupações reduzem o espaço físico disponível para as obras e dificultam o acesso das equipes de manutenção às estruturas subterrâneas.
Devido a esse cenário e à profundidade da tubulação — a mais de 19 metros da pista —, a solução exige uma intervenção de grande porte. O projeto de engenharia já foi concluído e os recursos solicitados ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
O Daer ressalta que o local permanece sinalizado, sob monitoramento técnico constante e sem risco de rompimento da pista principal. Enquanto a verba é liberada, o Departamento finaliza a contratação de uma nova empresa para intensificar a conservação e adotar medidas emergenciais na área.
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