O projeto social desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Ilha das Flores, região do arquipélago de Porto Alegre, teve início logo após a desmobilização dos abrigos para vítimas das enchentes de maio. Como parte das atividades, as crianças registraram imagens da região onde vivem, e na manhã desta sexta-feira, foi realizada uma exposição dos trabalhos. Foi um momento de grande emoção e orgulho para os fotógrafos mirins, que tiveram a oportunidade de compartilhar os sentimentos capturados em suas fotos.
A coordenadora de proteção do projeto, Ellen Riffel Chalupk explica que a iniciativa está prevista para continuar até outubro, com a possibilidade de extensão. Integrado a atividades lúdicas, o projeto aborda cultura, pertencimento, educação socioemocional e autoproteção, além de explorar perspectivas futuras. A ideia dos registros fotográficos surgiu para permitir que as crianças experimentassem novas possibilidades. Outros grupos do projeto estão atuando nos bairros Humaitá e Asa Branca.
A assistente social Pâmela Garcia observa que é um desafio atuar na região das ilhas após a enchente. “Ainda que a comunidade seja bastante resistente e resiliente, porque é algo que acontece todo ano, foi algo ímpar o que aconteceu. Podemos ver muita destruição e tristeza no entorno eles, eles estavam sem aula, sem nada, e aí o projeto entra para acolher nesse momento de calamidade pública”, diz.
Pâmela ressalta que existe uma atenção em esclarecer para a comunidade que o projeto é temporário. Ela afirma que o impacto do grupo é significativo tanto na chegada quanto na saída, mas que o aprendizado, os vínculos criados e as experiências vividas terão um efeito duradouro. A assistente social também destacou que as crianças constroem seus espaços, e que a sala que eles estão hoje foi decorada junto com eles, com detalhes e avisos escritos e desenhados pelas 10 crianças que participam atualmente do projeto.
As imagens exibidas na exposição variam amplamente, incluindo paisagens, rostos, céu, nuvens, flores e casas, cada uma refletindo o sentimento individual de cada criança. Durante a abertura, os fotógrafos mirins, menos tímidos, compartilharam detalhes sobre o processo de captura das imagens.
Gabriel mencionou ter se sentido como um fotógrafo profissional e tirado mais de 70 fotos, algumas delas da passarela. Vinícius destacou sua imagem favorita, do sol entre as nuvens, e explicou como usou o zoom para capturá-la.
Carla Isabela, mãe de Vinícius, de nove anos, e Vitória, de sete anos, estava orgulhosa de ver as imagens dos filhos coladas nas paredes. Ela expressou sua satisfação com a participação dos filhos no projeto, que trouxe felicidade e aprendizado para eles.