Em visita a autoridades municipais e de segurança pública do Vale do Taquari em Lajeado, o governador Eduardo Leite afirmou ter solicitado ao Serviço Geológico do Brasil (SGB) e ao Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), por atualizações mais recorrentes das informações sobre possíveis enchentes. Leite não havia se pronunciado oficialmente sobre as inundações no RS desde a manhã de quarta-feira, quando publicou um vídeo em suas redes sociais para informar sobre o risco de cheias na região.
O apontamento do governador ocorre após críticas feitas por gestores municipais sobre a demora na comunicação sobre a possibilidade de inundações. Um exemplo ocorreu no final da tarde de terça-feira, quando a Defesa Civil Estadual publicou um boletim informando não haver risco de enchentes no rio Taquari, que acabou ocorrendo poucas horas depois, ainda na madrugada de quarta-feira. Na ocasião, a prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, destacou que a informação correta com horas de antecedência é fundamental para acionar protocolos na cidade.
A visita do governador nesta sexta-feira no Vale do Taquari foi a primeira agenda de Leite em regiões afetadas desde que ocorreu a nova inundação. No encontro, o governador destacou os projetos em andamento e investimentos feitos pelo Estado na Defesa Civil. Entre eles, Leite citou a compra de estações hidrometeorológicas, que estão em processo de implementação. Na reunião, governo do Estado e prefeituras também avaliaram a preparação e resposta do evento desta semana.
- Com rios já cheios, RS deve enfrentar novo ciclo de chuvas intensas na próxima semana
- Dmae manterá abertas comportas do sistema de proteção contra cheias
- Após cheia perder força no Vale do Taquari, atenção se volta para Jacuí, Sinos, Gravataí e Guaíba
O governador também afirmou que os dados e informações sobre uma possível inundação do rio Taquari, que se confirmou, foram se modificando ao longo das horas entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira, em função da precipitação em parte do Norte e da Serra Gaúcha. Leite também ressaltou que, mesmo com a informação de que o rio não inundaria, era preciso manter um estado de alerta na região.
“Temos que ter melhor clareza na comunicação, de que os dados que são fornecidos podem se alterar por conta das variáveis que estão envolvidas. Portanto, tem que manter todo mundo em estado de alerta constante. Estamos pedindo ao IPH e ao SGB que possam ter maior recorrência de atualização das suas informações. O que talvez tenha acontecido foi uma defasagem, uma superação dos dados que alimentavam os modelos do IPH e do SGB, o que gerou aquela informação de quei não haveria inundação e, depois, esses dados acabaram sendo superados”, pontuou.
Mesmo assim, Leite ressaltou que é papel do governo do Estado manter uma postura de realista. “Não trabalhar com o pessimismo e nem com o otimismo em uma situação como esta. É ser realista. E essa realidade se altera rapidamente. Então, temos que ter maior recorrência de acompanhamento de dados e informações. Vamos trabalhar para estar em perfeitas condições de comunicação com as prefeituras e emitir os alertas adequados. Mas é importante dizer que existe muita oscilação nos dados em situações críticas como aquela que enfrentamos”, completou.