O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, disse que 99,9% dos incêndios registrados no estado de São Paulo ao longo do fim de semana foram causados por “ação humana”. Segundo ele, pelo menos 31 inquéritos já foram instaurados pela Polícia Federal para investigar possíveis incêndios criminosos na região.
Wolff destacou que a corporação vai utilizar imagens de satélite que possam auxiliar na identificação de como se deu o início dos focos. “Quando a Polícia Federal acha que há alguma coisa de provocação humana, esse inquérito é aberto e o processo corre”, explicou. “Quem vai decidir o resultado de cada inquérito é a investigação”, acrescentou.
Segundo ele, causa “surpresa” o fato de praticamente 50 municípios paulistas registrarem focos de incêndio de forma concomitante. O secretário citou ainda outros dois fatores que acabaram por contribuir para o cenário registrado: ausência de chuvas no Estado e ventos que chegaram a 70 quilômetros por hora.
Wolff, reforçou que continua aguardando o Estado e as cidades paulistas enviarem a solicitação de reconhecimento federal de situação de emergência para que o governo federal possa liberar recursos e, dessa forma, contribuir com ações de resposta, começando pela assistência humanitária. “A Defesa Civil Nacional trabalha 24 horas por dia. Assim que as solicitações chegarem, reconheceremos a situação de emergência e ajudaremos com o que pedirem, sejam cestas básicas, kits de higiene e compra de combustível para os veículos das defesas civis locais poderem trabalhar”, afirmou.
Desastres Naturais
Integrante do Departamento de Controle do Desmatamento e Queimadas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, Raoni Rajão, destacou a importância da criação de salas de situação no Palácio do Planalto para que os ministérios trabalhem de forma integrada no combate a desastres naturais. “Dessa forma, conseguimos agir de maneira mais rápida e eficaz. Devido ao El Niño, imaginávamos que seria um ano complicado, com secas mais severas agora ou com excesso de chuva, como ocorreu no Rio Grande do Sul”, disse Rajão.
Ele classificou os incêndios registrados ao longo do fim de semana no estado de São Paulo como “situação anômala”. “No momento, não temos todas as informações. As investigações estão avançando”. “O que causa estranheza é o aumento repentino de focos em áreas relativamente distantes umas das outras”, destacou, ao citar que alguns municípios atingidos chegam a estar a dezenas ou mesmo centenas de quilômetros distantes uns dos outros.
Ainda segundo Rajão, as áreas atingidas pelo fogo concentram lavouras de cana. “Não faria sentido que, naquelas áreas, os focos de incêndio fossem utilizados para o manejo da cana”. “São todos elementos que estamos investigando. As dinâmicas são muito diferentes de local para local”, destacou. “A produção agrícola perde com o fogo, ela não ganha com o fogo”, assinalou, ao lembrar que também não houve registros de raios e relâmpagos no momento em que os focos começaram, nem mesmo de acidentes com torres de alta tensão que pudessem dar início às chamas.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Soares, reforçou alguns cuidados necessários para quem mora em áreas com focos de incêndio. “É importante cobrir o rosto com máscaras, bandanas ou qualquer outra proteção. Também é fundamental se hidratar, especialmente crianças e idosos”, concluiu.
Redução dos focos
Segundo Wolnei, a Defesa Civil de São Paulo reportou que restam poucos focos de incêndio ainda ativos no Estado. “Não quer dizer que vamos abrir a guarda”, frisou. “Os focos que continuam, muito poucos, estão sendo combatidos”, completou, ao citar o trabalho de helicópteros, de uma aeronave modelo KC-360, capaz de carregar até 12 mil litros de água por viagem, e de cerca de 500 homens do Exército brasileiro para realizar aceiro na região.
Emergência
De acordo com Wolff, 56 municípios paulistas informaram terem sido afetados pelos incêndios do fim de semana. Entretanto, não há ainda nenhum decreto federal de reconhecimento de situação de emergência provocada pelo fogo, já que é preciso que o município publique primeiramente o decreto local e, em seguida, comunique o Estado.
“As informações não foram completadas no sistema. Enquanto isso não é concluído, a gente não consegue fazer o reconhecimento da situação de emergência ”, explicou. No sábado, em função dos intensos incêndios, o governo de São Paulo anunciou a criação de um gabinete de crise para gerenciar ações de monitoramento e de controle da situação.