A Defesa Civil Nacional promoveu um encontro virtual para debater sobre a importância da criação de planos de contingência para desastres em municípios brasileiros. Na conversa, especialistas em Defesa Civil de diferentes pontos do país falaram sobre como funciona o plano e apontaram a necessidade de responsabilização de ações para os órgãos, além de elencar atividades de prevenção e mitigação, antes de mesmo de definir decisões em situações extremas.
O encontro foi mediado pelo coordenador-geral de Articulação da Defesa Civil Nacional, Reinaldo Estelles. Ele reforçou que, além de ser construído de forma conjunta, o plano precisa ser atualizado e treinado anualmente. “Uma parte que é muito importante é quando você senta na mesa e conversa sobre recursos e sobre quem faz o quê. Tenho certeza que nós vamos ter um novo Brasil daqui para a frente, principalmente na gestão de riscos. E que o povo do Rio Grande do Sul tenha muita força neste momento de reconstrução”, apontou Estelles.
Um dos especialistas consultados foi o coordenador dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil e Assistente Social de Blumenau (SC), Márcio Corrêa. Ele explicou que o plano foi construído após duas enchentes na década de 1980. “Os técnicos elencaram as rotinas de atuações e foi planejado junto com órgãos e secretarias. Atualmente, sempre que troca o comandante do Exército na cidade, por exemplo, a gente apresenta e atualiza o plano. É algo que a gente constrói junto, pois a Defesa Civil não manda no plano. Ela articula e faz a mediação das ações”, explicou Corrêa.
Já o secretário municipal da Defesa Civil e da Cidadania de Aracaju (SE), o Tenente Coronel Silvio Prado, afirmou que o plano de contingência precisa ser mais amplo do que apenas apontar as ações de resposta. “Você organiza as ações para que ocorram menos impactos quando venha a acontecer um desastre. Por isso, o plano envolve ações de prevenção e mitigação também. É importante mapear as áreas de risco. Dar responsabilidades para órgãos e setores para que o sistema funcione, para que, na hora, a gente tenha efeitos reduzidos”, completou.
O subsecretário de Proteção e Defesa Civil de Belo Horizonte (MG), Waldir Figueiredo, reforçou que tanto a comunidade como a iniciativa privada precisam fazer parte da construção destes planos. “Ele não é um documento que foi feito para ficar guardado na gaveta. Ele precisa ter vida para que, no momento de necessidade, mostre-se operacional”, finalizou. O debate sobre o plano de contingência marcou a 24ª edição do Bate-papo com a Defesa Civil Nacional. O evento é realizado todos os meses de forma online pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.