As denúncias relacionadas ao antissemitismo cresceram mais de 961% no Brasil no último mês de outubro em relação ao mesmo período de 2022. A ocasião está relacionada às ações terroristas do grupo palestino Hamas, que está em guerra com Israel desde o mês passado. Os dados inéditos foram apresentados pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS) em eventos simultâneos em Porto Alegre, Brasília, São Paulo, Recife e Salvador nesta quinta-feira, Dia Internacional do Combate ao Fascismo e Antissemitismo.
No RS, o evento ocorreu no auditório da FIRS, no bairro Bom Fim. O evento contou ainda com um painel, com a presença do presidente da entidade, Márcio Chachamovich, do doutor em Comunicação e professor da PUCRS, Jacques Wainberg, da titular da Delegacia de Combate à Intolerância da Polícia Civil no RS, Tatiana Bastos, além do coronel João Trindade, ex-comandante da Brigada Militar (BM) aposentado.
Em outubro de 2023, foram 467 denúncias antissemitas apresentadas ao Departamento de Segurança Comunitária Conib/FIRS, contra 44 em outubro de 2022, aumento de 961,36%. Já entre janeiro e outubro deste ano, houve 876 denúncias, e no mesmo período do ano passado, 375, crescimento de 133,6%. Entre os meses de janeiro a setembro, houve 331 denúncias em 2022 e 411 em 2023, antes do conflito atual, ou seja, mais 24,17%.
Para Chachamovich, o antissemitismo é uma das facetas do racismo. “Racismo é preconceito que atinge vários segmentos da sociedade. Infelizmente, a prova de que não aprendemos nada desde a Noite dos Cristais é que o antissemitismo não deixou de existir”, argumentou ele, referenciando a Noite dos Cristais Quebrados, em que, em 9 de novembro de 1938, tropas nazistas invadiram e destruíram sinagogas, bem como assassinaram judeus em diversas cidades alemãs. O ato é considerado o marco inicial da perseguição a este povo, culminando no Holocausto.
“Os exemplos demonstram que o antissemitismo permanece presente, potencializado pelas redes sociais. Ele sofreu metamorfoses para se adaptar ao mundo do politicamente correto, e como isto é crime em qualquer país do mundo, o antissemita se traveste de crítico ferrenho e algoz do Estado de Israel, pregando o fim do estado judeu, negando sua existência, acusando e justificando seu ódio ao povo judeu na forma de ataques a um estado soberano”, prosseguiu.
Wainberg disse que a reunião em questão era “triste”, em razão de uma “realidade dolorosa”. “O antissemitismo tem raízes profundas, bem como diversas facetas. Os judeus são odiados por diversas razões, às vezes econômicas, religiosas, culturais, ou mesmo pela dificuldade das pessoas em tolerar as diferenças. As pessoas se juntam com outras que são parecidas com elas. Ser tolerante não é gostar da diferença, mas aprender a suportá-la. Caso contrário, vamos viver em um conflito permanente”, afirmou ele.