Em 2025, foi registrado no Brasil um aumento de 149% no volume de denúncias relacionadas ao antissemitismo em comparação com 2022, com os ataques do grupo palestino Hamas, em guerra a Israel. No canal de denúncias da comunidade judaica, foram 989 denúncias de antissemitismo em 2025. De um total de 1.428 denúncias, 439 foram descartadas após análise. Destas, 800 foram ocorrências em ambientes digitais. Em ambiente online, o aumento em três anos foi de 296%. São, de maneira geral, três denúncias por dia.
Os dados são do relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil, da Confederação Israelita do Brasil (Conib), que foram divulgados nesta segunda-feira em coletiva de imprensa, e foram apresentados por Rony Vainzof, secretário da Conib. O relatório reúne um panorama com dados, avanços e tendências sobre o impacto do antissemitismo no Brasil para a comunidade judaica, e juntou fontes como canal de denúncias, monitoramento digital, pesquisa intracomunitária, mapeamento abrangente do antissemistismo na sociedade brasileira contemporânea.
Vainzof afirmou que os aumentos mais expressivos estiveram associados a eventos críticos de repercussão internacional, como os ataques envolvendo Israel e Irã em junho do ano passado, sugerindo relação entre a quantidade de denúncias e contextos geopolíticos de alta tensão.
A definição do que é antissemitismo é baseada pela Aliança Internacional pela Memória do Holocausto (IHRA). Entre eles, está considerar os judeus coletivamente responsáveis pelas ações do Esado de Israel, negar ao povo judeu o direito à autodeterminação e negar o direito de existência de Israel.
Entre os conteúdos antissemitas, estão antissionismo, atos de fala agressivos, exaltação ou afirmação do nazismo, além de generalizações. A pesquisa também revelou que apenas 32,5% das pessoas notificam organizações de apoio ao presenciarem um ato antissemita e 59,21% mantém o caso na esfera privada. Das denúncias em ambiente digitais, 37,1% foram na rede social Instagram. Em relação ao tipo de ocorrência, 45,9% é de incitação ao ódio, e 31,3% de desinformação.
Dados de monitoramento digital apontam que, em 2025, foram identificados 6,43 milhões de menções absolutas ao antissemitismo. Foram 115.970 mil classificadas como antissemitas. Em 2024, foram 93.966 mil. A análise abrange interações em plataformas abertas, excluindo conversas privadas realizadas em aplicativos de conversas.
O secretário da Conib também trouxe diferentes relatos de casos de antissemitistmo que foram noticiados nos últimos anos, envolvendo tanto agressões físicas e verbais, ataques online e discursos de ódio. "O antissemitismo no Brasil não recuou desde a guerra comtra o hamas, contra o terrorismo e outras entidades terrotistas. o antisseminitsmo se normalizou. 2025 confirma que nao vivemos um pico pasageiro. Pelo contrário, temos estabilização do ódio contra os judeus em níveis inéditos, tanto no brasil quanto mundialmente", disse.
Anelise Fróes, coordenadora de Projetos de Enfrentamento ao Antissemitismo da Conib, destacou que 46% dos judeus já sofreram antissemitismo na vida profissional. Entre as principais ameaças percebidas pela comunidade judaica, estão o discurso de ódio online e nas redes sociais, crescimento do antissionismo nas universidades, atos de violência física ou vandalismo, desinformação e estereótipo na mídia.
“Essa ferramenta e esse instrumento é importante para mostrar para a sociedade brasileira, para conversar com todas as autoridades formadoras de opinião pública, o que é uma modalidade de racismo”, destacou Sergio Napchan, diretor-executivo da Conib.
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