Para permitir a chegada de veículos no centro de Porto Alegre a partir da avenida Castelo Branco após as inundações de maio, a prefeitura da Capital implantou o corredor humanitário, medida que exigiu a demolição de parte da passarela de pedestres sobre a Rua da Conceição. Passados seis meses, a prometida construção de um novo acesso ainda é aguardada, enquanto o que restou da estrutura virou abrigo de pessoas em situação de rua.
À noite, a rampa de acesso, que fica junto da Estação Rodoviária é tomada por colchões. Taxistas que trabalham nas proximidades relatam que é uma cena comum. Passageiros da Rodoviária também alegam importunação e até tentativas de assaltos.
“Vai da importunação ao roubo. É só a Brigada sair de perto que começa a correria”, diz o funcionário de uma lancheria localizada na Rodoviária e que pediu para não ser identificado.
O que diz a prefeitura
No que envolve a questão social, a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) afirma ter equipe de abordagem permanente, realizando ações sistemáticas no entorno da rodoviária. Conforme a pasta, o local “historicamente possui grande circulação da população em situação de rua”.
A Fundação diz ter conhecimento de ao menos 10 pessoas em situação de rua na região. São pessoas oriundas de Porto Alegre e de Santa Catarina, e parte não aceitou o acolhimento proposto. De acordo com o órgão municipal, seguirão sendo realizadas tentativas de vinculação, confecção de documentação, encaminhamento de Cadastro Único e acesso aos benefícios socioassistenciais.
A comunidade pode acionar as equipes de assistência social pela Central de Abordagem, no número 156, opção 7.
A Secretaria de Saúde afirma manter equipes e atividades na região, com acompanhamentos de saúde que contam com testagem rápida para tuberculose, sífilis, HIV e hepatites. Além disso, faz articulação com a rede de saúde mental para permanência e internações nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), bem como com unidades de saúde e serviços de assistência especializada.
Sobre a segurança no local, a Secretaria de Segurança de Porto Alegre destaca a instalação de totens de monitoramento - equipamentos que auxiliam a população em necessidades voltadas para segurança e também saúde - distribuídos em diversos pontos do Centro. Quando ativado, o totem direciona o chamado para a Guarda Municipal, que pode acionar tanto seus agentes quanto Brigada Militar, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Bombeiros e outros serviços públicos.
A Guarda Municipal de Porto Alegre (GM) mantém rondas ostensivas no entorno da rodoviária. O patrulhamento da região é efetuado, segundo a corporação, diuturnamente.
Chamados também podem ser feitos para o número 153.
Sobre a demolição do que restou da passarela e a construção de uma nova estrutura, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) afirmou que o projeto final do corredor humanitário está sendo preparado para licitação. A pasta não informou previsão para início do processo.